Cisne condiciona reajuste salarial a aumento da passagem para R$ 3,10
Representantes da Cisne e do Sindicato se reuniram na semana passada. Empresa condiciona reajuste salarial a aumento na passagem
A Transportes Cisne condicionou qualquer reajuste salarial acima dos 6,6% oferecidos a seus trabalhadores, se o preço da passagem de transporte urbano em Itabira subir de R$ 2,70 para R$ 3,10 – o que representa um aumento de 14,82%. A imposição foi amplamente contestada pelo presidente do Sindicato dos Rodoviários, Cáscio Francisco Cota.
A condição imposta pela empresa foi anunciada pelo representante jurídico da Cisne, o advogado Gilberto Beraldo, durante audiência de tentativa de conciliação, na última quinta-feira, 14, na Justiça do Trabalho.
O consenso entre os negociadores da Cisne e da Empresa de Turismo Itabirana Ltda (Turita), que também pertence ao grupo, é de que “não há possibilidade (da Cisne) de dar um ganho real” para os trabalhadores (motoristas e cobradores), se a Prefeitura “não der a concessão de nova tarifa”.
O advogado Gilberto Beraldo alegou que último aumento na tarifa de transporte público concedido pelo governo municipal ocorreu em janeiro de 2011, e que em razão disso “a empresa vem tendo prejuízo já há alguns anos”.
O argumento foi imediatamente contestado por Cáscio Cota. “Isso é outro ponto. O trabalhador não pode pagar por isso. Sabemos que a Pássaro Verde (proprietária da Cisne) é um grupo que têm muitas empresas. Não é possível que não possa dar um aumento acima deste percentual oferecido”, reclamou o sindicalista.
De acordo com informações extra-oficiais, não existe previsão de quando e nem se o governo municipal irá conceder reajuste de tarifação para a Cisne.
Nova negociação
Uma nova reunião de negociação entre o Sindicato dos Rodoviários e Transporte Cisne ocorre nesta segunda-feira, 18 de março. Segundo o sindicalista Cáscio Cota, a paralisação está suspensa, mas caso não haja acordo ou a proposta da empresa não aumente, a greve voltará a acontecer.
O sindicalista disse que levará para a mesa de negociação o valor de reajuste salarial de R$ 1.378,00 – equiparando aos salários pagos pela Enscon Viação Ltda, de João Monlevade, além do ticket alimentação de R$ 327,00.
A primeira proposta pedida era de aumento salarial dos motoristas para R$ 1.5 mil. Mesmo com a redução do valor, durante uma audiência de tentativa de conciliação, no último dia 14, na Vara do Trabalho, a Cisne não cedeu e manteve os 6,6% oferecidos desde o início.
De acordo com presidente do Sindicato, caso a empresa chegue no valor pedido por eles, haverá uma assembleia para que o trabalhador decida se aceita ou não o reajuste.