Cisne não aumenta proposta e sindicato ameaça trazer ônibus de fora

Alternativa em trazer ônibus de outra empresa seria para cumprir o que ficou estabelecido pela juíza do Trabalho, Wanessa Mendes

Cisne não aumenta proposta e sindicato ameaça trazer ônibus de fora

Diante de mais uma recusa da Transportes Cisne em elevar o reajuste salarial dos motoristas e cobradores, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Cáscio Francisco Cota, afirmou que irá trazer entre 50 e 60 ônibus de outro estado para que a população itabirana “não fique prejudicada com a próxima greve”. O líder sindical embarca na manhã desta terça-feira, 19, para negociar com uma empresa de transporte coletivo, fora de Minas Gerais.  

 “Nós estamos fazendo contato até fora do estado, para trazer um número de carros para rodar na cidade. Estou viajando amanhã, não vou falar para onde, fora do estado, para negociar com uma empresa e trazer de 50 a 60 ônibus para que a população não fique prejudicada com a greve”, garantiu.

Cáscio Cota informou à DeFato Online sobre a decisão tomada pelo sindicato na tarde desta segunda-feira, 18, após a direção da Cisne se recusar a participar de nova reunião de negociação salarial, marcada para as 14 horas. Os ônibus "contratados" atenderiam ao mínimo de 60% estabelecidos por lei e a paralisação dos funcionários itabiranos seria retomada.  

“Essa nossa decisão (de contratar ônibus) reflete a insatisfação do sindicato e dos trabalhadores com essa intransigência da Cisne. Ela mais uma vez se negou a sequer discutir a possibilidade em conceder um percentual maior de reajuste. Eles simplesmente encaminharam uma carta com as mesmas alegações de dificuldade financeira ditas na audiência”, reclamou.

A alternativa em trazer ônibus de outra empresa para que sejam mantidos os 60% da frota atendendo a população, conforme estabelecido pela juíza do trabalho, Wanessa Mendes de Araújo, é uma prerrogativa do sindicato, prevista nos artigos 11º e 12º da Lei 7.783/89.

O que diz a lei:

Art. 11. “Nos serviços ou atividades essenciais, os sindicatos, os empregadores e os trabalhadores ficam obrigados, de comum acordo, a garantir, durante a greve, a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade”.

Parágrafo único. “São necessidades inadiáveis, da comunidade aquelas que, não atendidas, coloquem em perigo iminente a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população”.

Art. 12. “No caso de inobservância do disposto no artigo anterior, o Poder Público assegurará a prestação dos serviços indispensáveis”.

Indignação

Sem esconder seu descontentamento com a postura da empresa, Cáscio Cota disse ainda que a solução para o impasse também é  responsabilidade do governo municipal. Ele cobrou do prefeito Damon Lázaro de Sena (PV) que interfira na situação.

“Está na hora do prefeito intervir e mostrar para eles que tem peito. É hora de rever, mexer nesta concessão e não simplesmente dar permissão para o aumento de preço da passagem”, desabafou o sindicalista.

Uma reunião entre Sindicato dos Rodoviários e juízes do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), da 3ª Região, em Belo Horizonte, também já estaria sendo agendada, segundo informou o líder sindical. O motivo exato da reunião, entretanto, não foi informado por ele.