Cleitinho contraria republicanos e mantém candidatura ao governo de Minas
O senador disse que vai tentar sensibilizar o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, nesta quinta-feira (30)

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) afirmou nesta quarta-feira (29) sua candidatura ao governo de Minas Gerais, contrariando nota do partido divulgada na manhã deste mesmo dia, em concordância com o comando estadual e nacional da legenda.
“Quero começar dizendo que eu sou candidato a governador, junto com Luís Eduardo Falcão (ex-prefeito de Patos de Minas, também do Republicanos), como seu vice na chapa. Desde o ano passado, tive a humildade de falar que, se eu estivesse até perto de começar a eleição liderando as pesquisas, eu seria candidato (…). Saiu uma última pesquisa agora, faltando dez semanas para a eleição, que mostra que 40% (das intenções de votos). Não sou só eu que quero (essa candidatura), é o povo mineiro que quer. E a voz do povo é a voz de Deus”.
A nota do partido, divulgada nesta quarta-feira (29), apontava que o partido não daria mais legenda ao senador para se candidatar porque ele não compareceu à convenção eleitoral no sábado (25).
Por sua vez, Cleitinho afirmou que já havia comunicado que não poderia comparecer em virtude de luto pelo seu irmão mais novo, Matheus Augusto Azevedo (34), que morreu por complicações de um câncer no dia 18 de julho. A convenção aconteceu uma semana após.
“Eu ainda estou de luto. Tem uma semana que o enterrei. Como eu vou lançar uma candidatura estando de luto do meu irmão? Que clima eu tenho para fazer uma coisa dessas? A convenção foi no sábado agora. E falei para o pessoal do partido: gente, eu não vou conseguir dar conta de ir à convenção. Eu não tenho ainda cabeça e energia para lançar uma candidatura agora. No dia da convenção fazia exatamente uma semana (que ele havia morrido)”, explicou Cleitinho.
Cleitinho ressaltou que, além da dor da perda, o peso enfrentado é ainda maior porque outros familiares, inclusive o seu pai, também faleceram da mesma doença. “A minha família tem um trauma pela questão do câncer. Minha família inteira, meus parentes todos, inclusive o meu pai, morreram de câncer. Em janeiro, o meu irmão, novamente, teve leucemia. Há 18 anos, eu doei a medula para ele. De janeiro a março, ele ficou mais de 40 dias internado, foi até para UTI. Eu disse para minha família que enquanto Matheus não tivesse bem, eu não iria lançar minha candidatura. O meu irmão foi para o hospital, fazer um transplante, e eu pensei: ‘após passar a Copa do Mundo, vou anunciar a minha candidatura, mas, infelizmente, a situação dele se agravou“.
A Copa do Mundo teve a final no dia seguinte ao falecimento de Matheus Azevedo.
O senador disse que vai tentar sensibilizar o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, nesta quinta-feira (30), para que consiga disputar pleito em outubro.
“Eu mandei uma mensagem para o presidente. Que fique registrado aqui o meu respeito e minha admiração pelo presidente Marcos Pereira. Falei no domingo, depois da convenção, dizendo que eu serei candidato a governador, e a gente ficou de conversar nesta semana (…) Não sei o que mudou de ontem para hoje (…). Não consegui encontrá -lo hoje porque estou em Minas e ele está em São Paulo. Agora, vou tentar conversar com ele amanhã de todo jeito para poder tocar o coração dele e oficializar a minha candidatura”.
O senador desabafa: “Se essa minha questão pessoal incomodou o partido, eu peço desculpas (…). Qual o partido, seja de esquerda ou de direita vai querer perder um candidato como eu, que tá liderando pesquisa com 40% de intenção de votos? Eu acredito que o partido não vai querer me perder”.
Como prova de seu luto, o senador disse que, desde a morte do irmão, não postou nenhum conteúdo novo nas redes sociais.
“Eu fiquei sem atitude, sem ação, estava apenas dentro de casa, quieto, não dava conta de fazer nada”.
A última postagem de Cleitinho no X foi no dia 16 de julho.