Com a crise, exportações mineiras caíram pela metade

Retração. As exportações de minério de ferro, principal item da pauta exportadora de Minas, é um dos setores mais afetados pela crise

Desde que a crise dos Estados Unidos estourou, a média mensal das exportações mineiras caiu pela metade. Até o terceiro trimestre de 2008, as vendas externas vinham crescendo em média 35% ao mês. Em setembro, o Estado exportou US$ 2,8 bilhões. Em dezembro, as exportações já tinham caído 50%, atingindo US$ 1,43 bilhões. Só em relação a novembro, a queda foi de 19%, três vezes maior do que a retração nacional, de 6%.

Em janeiro, as exportações de Minas foram ainda menores, de US$ 1,42 bilhões, 13,8% menores do que em janeiro do ano passado. Este ano começou pior do que 2008, quando as exportações mineiras cresceram 8,2% de dezembro para janeiro e 12,1% frente a janeiro de 2007.

Na avaliação da presidente do Conselho de Relações Econômicas Internacionais da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Martha Lassance, tudo indica que as exportações estaduais vão retornar aos níveis de 2007. Naquele ano, foram exportados US$ 18,35 bilhões. Se o resultado for repetido em 2009, a queda será de 25% na comparação com os US$ 24,44 bilhões exportados no ano passado.

Segundo Martha, o cenário está pior do que o esperado e a tendência é piorar um pouco. "O Brasil é muito dependente dos Estados Unidos, cuja previsão de queda do PIB para 2009 é de 2%, e da América Latina, cujo PIB deve cair entre 0,8% e 1%", analisa ela.

Estimativas. Na avaliação do consultor de negócios internacionais da Fiemg, Alexandre Brito, as barreiras protecionistas dos Estados Unidos para a venda de aço podem fazer os resultados mineiros piorarem. "O governo só vai comprar aço do próprio país, o que vai afetar diretamente as exportações da siderurgia de Minas", destaca Brito.

Segundo Martha e Brito, o Brasil deve enfrentar queda de 20% nas exportações e de 15% a 20% nas importações, em relação ao ano passado. Para Minas, as projeções da Fiemg para 2009 são de retração de 20% nas exportações e queda de 30% a 35% nas importações. "Como o Estado vai vender menos, vai comprar menos componentes de fora", justifica Martha.

Saldo
US$ 856 milhões. Foi o saldo comercial – diferença entre exportações e importações – em Minas, em janeiro deste ano. O número foi 10,8% menor em relação ao mesmo mês do ano passado.