Com o pé direito

Leonardo Gomes Oliveira, agente de investimentos credenciado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), consultor da Delta Investimentos

 
Dizem que a cor da virada determina a sorte do próximo ano. Na área financeira, por exemplo, isso é bem mais do que superstição. Começar o ano no vermelho ou no azul faz toda a diferença na hora de planejar o orçamento de 2010, seja ele doméstico ou empresarial. Planejar? Sim. A cultura financeira do brasileiro – se é que temos uma! – não inclui a preocupação com a gestão dos rendimentos. Muitas pessoas e empresas nem sabem ao certo com o que gastam. “Nunca abro minha fatura do cartão de crédito na sexta-feira para não estragar o fim de semana”, escuta-se.
 
Aprender a administrar o dinheiro, no entanto, é uma chave para se alcançar sonhos de consumo e metas de lucratividade a curto, médio e longo prazo. Consideram-se ainda os gastos extras de dezembro e a chuva de impostos, taxas e compromissos de janeiro. Se o ano foi de crise, está aí mais um bom motivo para começar a se pensar em controle.
 
O primeiro passo para planejar 2010, afirmam especialistas, é avaliar a situação financeira atual. Para isso, basta realizar um balanço simples, colocando todas as receitas e despesas no papel. Com os números em mãos, há duas possibilidades: estar faltando ou sobrando dinheiro. A partir dessa constatação, torna-se mais fácil elaborar planos financeiros. Se as contas forem positivas, abre-se a possibilidade de novos investimentos para aumentar a rentabilidade. Nos casos de déficit, fica clara a importância de aumentar a renda, cortar os gastos e, em alguns casos, trocar a dívida por outra com juros menores.
 
Para ajudá-lo a traçar o caminho, nas duas situações, DeFato convidou dois especialistas. Emílio Rohrmann Neto, superintendente comercial da Compacta Serviços Financeiros, correspondente do Banco Bonsucesso em Itabira. Ele fala sobre uma nova linha de crédito, recém-lançada no mercado financeiro, que vai ajudar muita gente a equilibrar as contas. Leonardo Gomes de Oliveira, agente de investimentos credenciado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), consultor da Delta Investimentos, ensina como ganhar dinheiro, aplicando em fundos e ações.
 
As dicas estão dadas nas próximas páginas. E os resultados, com certeza, serão bem mais efetivos do que comer lentilhas, guardar semente de romã na carteira, chupar doze uvas verdes ou vestir-se de amarelo…
 
PARA QUEM ESTÁ NO VERMELHO
 
Emílio Rohrmann Neto, superintendente comercial da Compacta Serviços Financeiros, correspondente do Banco Bonsucesso em Itabira
 
O que é o Giro Bonsucesso?
É uma modalidade de empréstimo nova, que não é consignado. Não tem convênio com o INSS ou outro órgão federal. Qualquer pessoa pode utilizar, desde que tenha um imóvel com Habite-se (documento que comprova que o imóvel está regular) para dar como garantia. É um produto flexível, que se encaixa em várias situações e vale tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. O imóvel é usado como garantia, mas utilizando-se a alienação fiduciária, não a hipoteca. É como se fosse uma alienação de veículo, fica um gravame em nome do Banco Bonsucesso. Quando a pessoa quita a dívida, o banco retira o gravame.
 
Como funciona?
O banco liberab de R$ 20 mil a R$ 400 mil, limitados a 50% do valor do imóvel que vai ser dado como garantia. Pode ser uma casa ou um cômodo comercial, que será avaliado por um profissional do banco. O empréstimo é feito no nome do dono do imóvel, que precisa comprovar uma renda de, no mínimo, duas vezes o valor da prestação. Essa comprovação pode ser com recibos de pagamentos, extratos bancários e até fatura de cartão. O dinheiro é liberado até 30 dias após a entrega da documentação e o pagamento pode ser feito em até 72 vezes.
 
Quais as vantagens?
Não há exigência de comprovação do direcionamento dos recursos. Com o dinheiro na mão, a pessoa pode saldar dívidas, adquirir outros bens ou até montar o próprio negócio. O Giro ajuda a recuperar o fôlego, quitando dívidas, como cartão de crédito ou outros financiamentos com taxas maiores. Às vezes, a pessoa quer comprar um carro financiado e não tem a ficha aprovada. Outra finalidade também pode ser a reforma da casa. Consegue-se um valor muito maior e mais rápido do que os bancos tradicionais.
 
É ótimo para as empresas, principalmente as menores, que costumam ter dificuldades em comprovar faturamento ou não têm um relacionamento bancário. O que acontece, muitas vezes, é que o empresário, quando começa a faturar, também começa a querer fazer grandes planos. Aí ele compra uma casa de R$ 200 mil, por exemplo. Quando vai ver, está faltando capital de giro e ele troca cheques a juros de 4% e 5% ao mês. Com o Giro, ele continua morando na casa dele, mas com dinheiro na mão para movimentar a empresa. Normalmente, o negócio será mais rentável do que a taxa do empréstimo, que é de 2,4% ao mês. Com dinheiro, ele tende a aumentar ainda mais os lucros. Fora a tranquilidade para trabalhar. Quem tem que se preocupar com dívidas, não consegue planejar o negócio. Ganha-se de dois lados: economizando na taxa e focando no negócio.
 
Por que o imóvel como garantia?
Muita gente olha para a casa e diz: “Aqui eu não mexo, é patrimônio da minha família”. Isso faz parte da cultura brasileira; países desenvolvidos já fazem isso há anos. A pessoa nunca imaginou que poderia transformar a casa em dinheiro. É uma forma inteligente de se capitalizar, pagando taxas mais baixas. Com o Giro, não é necessário se dispor da casa. O raciocínio é matemático. Quem parar e fizer as contas vai ver que vale a pena.
 
Como contratar?
O atendimento é feito de forma personalizada. Um consultor vai até o cliente, faz as contas com ele, avalia se vale a pena e estuda a melhor proposta.
 
 
TUDO AZUL
 
Leonardo Gomes Oliveira, agente de investimentos credenciado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), consultor da Delta Investimentos
 
Quem está apto a investir?
Hoje em dia, com as facilidades de acesso aos investimentos, está muito mais fácil buscar aplicações financeiras que atendam às necessidades dos diferentes perfis e exigências. Assim, qualquer um pode investir.
 
A pessoa que está endividada pode pensar em investimentos?
É importante estar com as contas em dia, pois não adianta investir e pagar juros de uma dívida que está atrasada ou foi adquirida em parcelas, como em um financiamento. A parcela que será destinada ao investimento deve ser o que não está comprometido com o futuro, com dívidas ou outros compromissos de curto prazo. Tente negociar as dívidas em atraso e quitá-las o quanto antes. Faça um planejamento de suas despesas. O que sobrar é que deve ser aplicado ou investido.
 
A partir de qual valor é possível começar?
Os investimentos são variados e pode-se começar com qualquer valor. Existem investimentos que podem ser iniciados com R$ 1 ou R$ 100. Outros com valores muito mais altos. Existem fundos em que você pode começar com apenas R$1 ou senão ações de empresas que custam menos que R$1. Com certeza, algum dinheiro cabe no seu bolso, de acordo com seu capital.
 
Quais as vantagens?
Economizar e poupar por si já é bom. Se você planejar consistentemente, verá que no médio/longo prazo o investimento escolhido será muito bom e prazeroso também. Além do que, estimulará novos investimentos e a procura pela diversificação em outros produtos e aplicações. Você aprenderá com a experiência própria que estará vivendo. Alguns investimentos pagam taxas de juros muito boas, mas o importante é a mágica dos juros sobre juros, que no longo prazo trazem retornos excelentes, para um investimento bem escolhido.
 
Quais os principais riscos?
Os riscos estão associados ao tipo de investimento, ou seja, ao mercado em que será aplicado e ao seu perfil de investidor/poupador. Por isso, é muito importante conversar antes com alguém que conheça os diferentes tipos, para lhe ajudar na escolha. Existem, por exemplo, algumas aplicações que podem até ser negativas em alguns meses, mas depois rendem acima da média. Já os riscos dos produtos estão na ordem em que aparecem a seguir, do mais arriscado ao mais conservador: fundos cambiais (euro e dólar); renda variável (ações, fundos de ações); fundos multimercados; CDB; fundos de curto prazo e referenciados; fundo de renda fixa/fundo DI; tesouro direto; poupança. Também existem os riscos de mercado, de crédito, de liquidez e alavancagem, que são específicos de cada aplicação.
 
Os investimentos precisam ter um objetivo específico? Em prazo, em valores, etc…?
Prazos de até um ano são considerados de curto prazo. De um a três anos, médio prazo, e acima disso longo prazo. É importante salientar que esses períodos também estão diretamente relacionados à idade de cada um, pois longo prazo para quem tem 30 anos é bem diferente de para quem está com 65 anos. Por isso, procure descobrir quando e em que tempo você precisará do valor aplicado, pois o risco estará diretamente relacionado a essa questão. Quanto maior o tempo, maior a satisfação com o investimento escolhido. A longo prazo, quando passar a perceber o que faz uma boa aplicação, automaticamente se transforma num excelente poupador.
 
Quais os perfis de um investidor?
Preservação do capital – Conservador: investidores cujo objetivo principal é proteger o capital existente. Devem estar dispostos a aceitar a possibilidade de retornos menores que a média para minimizar o risco de perda do principal.
 
Renda corrente – Moderado: investidores cuja necessidade básica é manter um equilíbrio entre um fluxo contínuo de renda e a manutenção do capital. Algumas vezes precisam aceitar modesto potencial de risco para obter maiores taxas de retorno do que aplicações tradicionais podem oferecer.
 
Crescimento do capital – Agressivo: investidores que têm um entendimento da dinâmica do mercado e aceitam maior risco para obter maiores rentabilidades.
 
Alavancagem do capital – Muito Agressivo: investidores que procuram uma alta taxa de retorno, maximizando os ganhos sobre o capital, que podem tolerar um alto nível de risco de mercado e estão dispostos a se comprometer com investimentos de longo prazo e possíveis cotas negativas na carteira.
 
Dê um exemplo prático…
Uma pessoa que tenha aplicado um valor de R$ 23.463,70, hoje, com uma taxa fixa de 1.7% ao mês, produz ao final de 12 meses um montante de R$ 27.500. Ou seja, uma rentabilidade de R$ 4.036,30. É obvio que estamos considerando os juros fixos ao mês, que é muito difícil de se conseguir, mas ao longo prazo a taxa composta de juros é muito generosa com o poupador, trazendo excelentes lucros. Para o calculo é utilizada a fórmula: J = C x [(1 i)n – 1], sendo J= Juros, C= Capital inicial, I= Taxa mensal, N= Números de meses.
 
Algumas dicas.
Para sua segurança, procure empresas conhecidas do mercado ou que sejam credenciadas pelo Banco Central, pela CVM ou pela Anbid, que são agências reguladoras do mercado. Procure se informar sobre o mercado de aplicação em que está entrando e saber a rentabilidade passada de sua aplicação escolhida. Sabemos que isso não garante a rentabilidade futura, mas é a melhor imagem de sua aplicação.