Comandante expõe fragilidade da Marinha Brasileira

Nos próximos cinco anos, a Marinha poderá ter que se desfazer de pelo menos 40% dos seus meios operativos

Comandante expõe fragilidade da Marinha Brasileira
Foto: Divulgação

O comandante da Marinha do Brasil, Marcos Sampaio Olsen, em palestra na comissão de Relações Exteriores do Senado, em 4 de maio, expôs a real situação em que se encontra a Força Naval do país. Ao relatar sobre as restrições orçamentárias severas por que passa a instituição, o Almirante de Esquadra deixou claro que nos próximos cinco anos, a Marinha vai ter que se desfazer de pelo menos 40% dos seus meios operativos.

“Esse gerenciamento, essa proteção dos recursos de maneira a propiciar a sua exploração sustentável requer a presença de meios. E a realidade hoje é esta: por imposição e por restrições severas de orçamento, que impedem a devida manutenção ou reaparelhamento da Força, vejam as senhoras e senhores que eu, até 2028, darei baixa em 40% da Força”.

Ao falar sobre o verdadeiro poder de fogo da Marinha do Brasil, o almirante foi enfático ao declarar que “uma força naval necessariamente precisa ter capacidade de causar danos ao inimigo e, para isso, é necessário treinamento, combustível, munição, etc.”.

O Almirante também disse que hoje tem 88% do seu orçamento comprometido com despesas fixas, restando pouca margem para as despesas discricionárias.

“Eu preciso de combustíveis, manutenção e munição. É inadmissível uma Força que não tenha capacidade de causar dano, que exige treinamento, munição, óleo e manutenção dos seus bens. Em face desse quadro orçamentário, nós temos perdido capacidade de atuação em todo aquele espaço”.

E prossegue: “Em temos de governança orçamentário-financeira é assim que está distribuído o orçamento da Força: 88% do orçamento, hoje, é para despesas obrigatórias, como pagamento de pessoal, assistência médico-odontológica, movimentação em diária, ajuda de custo e auxílio-fardamento”.

Olsen admitiu que diante de uma ameaça iminente, o Brasil precisaria de uma esquadra moderna, e que sem isso, o país não terá como se defender satisfatoriamente.