Comando Vermelho estende domínios no país e atua em ao menos 22 estados brasileiros
Os complexos do Alemão e da Penha representam apenas uma pequena parcela do domínio territorial da facção
Criado na década de 70, o Comando Vermelho avança pelo país e estima-se que hoje atue em ao menos 22 estados brasileiros, extrapolando seus limites iniciais nas comunidades cariocas, complexos do Alemão e da Penha, palcos da Operação Contenção ocorrida na terça-feira, 28 de outubro, onde morreram 121 pessoas no sangrento confronto entre policiais e criminosos. Quatro policiais foram mortos no embate.
Os complexos do Alemão e da Penha representam apenas uma pequena parcela do domínio territorial da facção, que funciona em sistema similar ao das franquias e conhecido pela prática de extorsão de comerciantes, a exploração ilegal de serviços de energia, gás e acesso à internet, a implantação de barricadas e sistemas de videomonitoramento nos bairros, enfrentando de forma agressiva as forças de segurança.
O Relatório do Mapa de Orcrim (Organizações Criminosas) 2024 elaborado pelo Ministério da Justiça e divulgado em setembro do ano passado, aponta a atuação do CV em pelo menos 22 estados.
O CV disputa espaço com o PCC (Primeiro Comando da Capital), TCP (Terceiro Comando Puro) e outros grupos criminosos locais e, nos últimos tempos tem conquistado espaço em estados como Bahia, Ceará e Espírito Santo.
Em 2020, uma queima de fogos de artifício anunciou o domínio do grupo criminoso sobre o Nordeste de Amaralina, complexo formado por quatro bairros onde residem cerca de 70 mil pessoas em Salvador.
A região tem geografia acidentada e fica próxima a bairros ricos, tornando-se o quartel-general do CV, que se espalhou por outros bairros da capital.
No Rio de Janeiro, apesar de os complexos da Penha e do Alemão serem classificados como quartéis-generais do Comando Vermelho, o Complexo da Maré já tem o mesmo conceito, numa região da zona norte que reúne 16 favelas. Em 14 dessas comunidades o CV mantém influência direta. As demais estão sob domínio do TCP.
O Complexo da Maré é estratégico para o escoamento de armas e corta importantes vias da cidade, como a Linha Amarela, a Linha Vermelha e avenida Brasil, além de seu limite com a Baía da Guanabara, rota marítima utilizada para o transporte das drogas.
A Rocinha, na zona sul, maior favela do Brasil, com mais de 119 mil moradores, é um reduto para fuga de lideranças do tráfico. Por sua localização em área turística da cidade, setores da polícia afirmam que qualquer operação na comunidade tem grande repercussão midiática, o que torna mais escassas as operações no local, pelo risco de civis inocentes serem atingidos.
Sua topografia acidentada e sua única entrada por via terrestre torna mais complexa qualquer atividade policial na área.
Outro reduto do CV no estado é o complexo do Salgueiro, em Niterói, de onde, conforme relatos partiram ordens para o fechamento da rodovia Niterói-Manilha, que liga a capital à Região dos Lagos, após a operação de 28 de outubro.
O CV assumiu, nos últimos dois anos, o controle de pelo menos dez comunidades na zona sudoeste, criando um cinturão territorial papra fuga pela Floresta da Tijuca.
O governo do Rio anunciou um projeto de retomada territorial que deve começar com operações em Rio das Pedras, Gradênia e Muzema, regiões com presença de facções.
Na Bahia, o CV incorporou a facção Comando da Paz, acirrando a disputa por territórios na capital, interior e pequenos vilarejos.
O estado contabiliza 21 fações criminosas, como CV, TCP e BDM (aliado do PCC).
“Essas facções violentam a nossa sociedade, muitas comunidades que se sentem ameaçadas. Por isso a gente vem realizando operações justamente para evitar que haja estabelecimento de barricadas e videomonitoramento”, afirma Marcelo Werner, secretário de Segurança Pública da Bahia.
Segundo pesquisa Datafolha, encomendada pelo Fórum brasileiro de Segurança Pública, facções e milícias aumentaram sua presença no Brasil e alcançaram a vizinhança de 19% da população brasileira, cerca de 28,5 milhões de pessoas que convivem com o crime organizado no bairro onde vivem.




