Começa a greve dos servidores municipais de Itabira; categoria cobra diálogo com a prefeitura

O funcionalismo público alega que os cortes na prefeitura estão recaindo injustamente sobre eles

Começa a greve dos servidores municipais de Itabira; categoria cobra diálogo com a prefeitura
Foto: Jardel Mendes/DeFato
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A greve dos servidores públicos municipais de Itabira começou nesta segunda-feira (25). Aprovada em assembleia na última quarta-feira (20), a paralisação foi deflagrada em protesto contra as mudanças em benefícios e a falta de negociação com a administração municipal.
No primeiro dia de paralisação, logo pela manhã, os manifestantes se reuniram em frente ao prédio da prefeitura.

O movimento grevista foi motivado principalmente por duas medidas adotadas recentemente pelo governo municipal: a mudança no benefício do cartão-alimentação, que passou a ser concedido com base em faixas salariais, e o aumento do desconto para custeio do plano de saúde, que subiu de 3% para 4% do salário. De acordo com os servidores, essas medidas representam perdas para a categoria.

Mas a pauta de reivindicações é mais ampla. Além da manutenção do cartão-alimentação para todos os servidores e a garantia do subsídio que impeça o aumento no plano de saúde, também e exigidas a reabertura da negociação do acordo coletivo de trabalho, que, para o funcionalismo público, não foi fechada, assim como outras exigências.

Auro Gonzaga – Foto: Jardel Mendes/DeFato

Auro Gonzaga, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi), salientou que “o movimento tem como objetivo forçar a prefeitura a retomar o diálogo para discutir não apenas os cortes implementados, mas todas as pendências trabalhistas. A expectativa é que a greve se mantenha até que haja uma sinalização concreta da administração municipal para reabrir as negociações”.

Reunião de comissões do Legislativo

Em meio à greve dos servidores municipais, representantes dos funcionários públicos participaram da reunião de comissões na Câmara de Vereadores, na tarde desta segunda-feira, para solicitar o apoio ao movimento.

Os grevistas pediram que os parlamentares, no uso de suas prerrogativas legais de fiscalização, requisitem à prefeitura os relatórios contábeis detalhados do Executivo. Segundo eles, o objetivo é verificar a real situação financeira do município, que tem sido usada como justificativa para os cortes de seus benefícios e direitos.

Durante reunião de comissões, a professora e servidora de carreira Fabiana Fonseca reforçou o pedido por transparência nessa prestação de contas do Executivo — e também pediu a realização de uma audiência pública. “Estamos cansados de reuniões sem solução, não apresentam propostas concretas. Queremos um diálogo verdadeiro. Por isso, pedimos que a Câmara promova uma audiência pública para sermos, de fato, ouvidos. Os cortes no cartão-alimentação e o aumento do plano de saúde penalizam quem tem mais tempo de carreira. Em vez de gratificação, sofrem descontos. Isso reduz nosso poder de compra, impacta o comércio local e pode até gerar desemprego. Retiram nosso direito sem nem apresentar a planilha de cortes. É inaceitável”, afirmou.

Fabiana Fonseca – Foto: Jardel Mendes/DeFato

Fabiana Fonseca também leu uma carta da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), que, com base no artigo 103 do regimento interno da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG), já havia solicitado à prefeitura a abertura de um canal de diálogo. De acordo com a professora, o gabinete do prefeito não respondeu ao ofício, e a categoria decidiu tornar o fato público para pressionar por uma resposta.

Também está previsto para acontecer uma audiência pública na ALMG, em Belo Horizonte, em data que ainda será definida.