Comida de Buteco começa sexta-feira em BH
Dizem as gramáticas da gastronomia que os grandes preparos levam tempo para ficar prontos. Depois de dez anos cozinhando em fogo baixo, acertando o sal, o tempero, reduzindo os erros e aumentando a popularidade, o Comida di Buteco, mais famoso festival gastronômico da cidade – e um dos mais conhecidos do país – chega à […]
Dizem as gramáticas da gastronomia que os grandes preparos levam tempo para ficar prontos. Depois de dez anos cozinhando em fogo baixo, acertando o sal, o tempero, reduzindo os erros e aumentando a popularidade, o Comida di Buteco, mais famoso festival gastronômico da cidade – e um dos mais conhecidos do país – chega à sua 10ª edição. A orgia começa nesta sexta-feira, e as votações acontecem até o dia 17 de maio. O resultado de melhor tira-gosto será anunciado na Festa da Saideira, que acontece entre os dias 22 e 24 de maio, no Centro Esportivo Universitário (Ceu), da UFMG, na Pampulha.
Participam desta edição 41 estabelecimentos, de todas as regiões da cidade. O desafio de 2009 é que todos os concorrentes terão que incluir no prato couve, mostarda ou taioba. No ano passado, o desafio era resgatar o torresmo. “A couve é uma instituição da culinária mineira, e colocamos estas opções porque a essência do festival é uma festa da culinária de raiz em Minas. Estas folhas representam exatamente este resgate”, afirma uma das sócias do festival Flávia Rocha.
É dela a estimativa de público de pelo menos 500 mil pessoas ao longo do mês. Outros 30 mil a 35 mil participantes devem lotar a Festa da Saideira, que no ano passado aconteceu no Bairro União, e antes ocupava a Casa do Conde de Santa Marinha, na Floresta.
Durante a festa, os três tira-gostos mais bem votados são anunciados, e o vencedor leva para casa uma placa que funciona como “selo de qualidade”.
Entre as principais diferenças anunciadas para este ano estão a mudança no peso dos votos computados. Até o ano passado, a escolha do público tinha um peso equivalente a 70%, e os jurados, 30%. Neste ano, o valor do voto será meio a meio. A intenção, de acordo com Flávia Rocha, é aumentar a exigência nos preparos, já que o júri especializado geralmente é mais “criterioso”.
Outra novidade é o concurso “Arte no Banheiro”, que aconteceu nos últimos oito anos em caráter competitivo. Neste ano, todos os “espaços nobres” serão decorados pelos vencedores das edições anteriores. Em vez de “competição”, o momento de alívio dos consumidores de tira-gosto com cerveja será em meio a uma “mostra simples” de artistas já premiados.
Neste ano, o Comida di Buteco apresenta ao público 12 participantes que não estavam em 2008. Sete deles abrem suas portas para o festival pela primeira vez e outros cinco estiveram em edições anteriores. “Outro aspecto é este garimpo, uma das marcas registradas do Eduardo Maia (organizador do festival)”, garante Flávia.
Um dos novatos é o Bar Pity, que funciona no Bairro Funcionários há 36 anos. “Meu pai já havia sido convidado antes, mas ficou receoso. Neste ano, comigo à frente, a gente aceitou o desafio, e estamos confiantes”, diz a administradora da casa, Gláucia Melo, filha do seu Nehmias Melo, o “Pity”. A estimativa da empresária é vender 250 “Joelhos de Moço” por dia.