Como a terapia ocupacional pode auxiliar no processo do desfralde?

Para obter conhecimento se o processo do desfralde necessita de auxílio de um profissional é importante entender sobre os sinais de prontidão da criança

Como a terapia ocupacional pode auxiliar no processo do desfralde?
Foto: Reprodução
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De acordo com a Associação Americana de Terapia Ocupacional (AOTA) a Terapia Ocupacional é uma profissão que promove saúde e bem-estar por meio das ocupações, promovendo autonomia e independência através de intervenções focadas nas Atividades de Vida Diária (AVDs), Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVDs), descanso e sono, gestão da saúde, educação, lazer, trabalho e participação social.

Neste sentido, o uso do vaso sanitário é uma importante Atividade de Vida Diária que dá início na primeira infância. No marco do desenvolvimento o desfralde se encontra entre 18 a 36 meses, mas pode ser uma habilidade complexa de ser iniciada, por ser um processo neurofisiológico.

Por esse fator, é importante entender os sinais de prontidão da criança para o desfralde, que podem ser observados através de:

  • Interocepção: O sistema Interoceptivo é o sistema que detecta a condição fisiológica do corpo, como a sensação de fome, sede, náusea. Por esse fator no processo do desfralde é importante que a criança consiga reconhecer a sensação que demonstra o desejo de evacuar;
  • Aproximação com o vaso: Para o desfralde completo é importante que a criança possua uma aproximação com o vaso sanitário, conseguindo então sentar e levantar quando necessário, podendo ser utilizados assentos redutores para auxiliar a segurança e funcionalidade;
  • Incômodo com a fralda: É importante que a criança já se sinta segura para o processo do desfralde, podendo ser perceptível através das fraldas secas por mais de duas horas consecutivas ou a demonstração de desconforto com fraldas sujas;
  • Aquisição de novas habilidades motoras: O uso do vaso sanitário exige habilidades como o equilíbrio (ao permanecer sentado no vaso), coordenação bilateral (ao se limpar), coordenação motora fina (ao pegar o papel higiênico);
  • Habilidades para vestir e despir roupas simples: Quando a criança já não necessita de auxílio para despir e vestir parcialmente as peças de roupas inferiores, como as calças;
  • Seguir instruções básicas: Para uma habilidade ainda não adquirida é importante que a criança consiga seguir instruções básicas as quais podem ser passadas de maneira lúdica, através de recursos visuais, além de músicas, livros ou desenhos sobre a temática.

O desfralde necessita de diversas habilidades ao mesmo tempo, podendo ser complexo e demorado, por esse fator, é importante utilizar sempre o lúdico e a imaginação para auxiliar na segurança emocional da criança de forma em que ela se sinta segura para adquirir estas novas habilidades.

Neste fator, a terapia ocupacional pode auxiliar caso o processo do desfralde, seja típico ou atípico, apresente alguma barreira. Através do entendimento da individualidade de cada criança e núcleo familiar, auxiliando para que desenvolva habilidades antecedentes até a marca do desfralde completo, além de investigar se há desafios biopsicossociais que interferem nesta habilidade, promovendo assim a autonomia e independência.

Sobre a colunista

Aline Campos David tem formação em Terapia Ocupacional pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Também é pós graduanda em Transtorno do Espectro Autista (TEA) pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Possui formação em cursos de teoria à intervenção em Integração Sensorial de Ayres pela Sensory e Benu. Atualmente atua como terapeuta ocupacional no desenvolvimento infantil na Clínica Integrar Itabira (@clinicaintegraritabira).

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