Comprar ingresso para show pela web custa até 30% a mais e não garante conforto

  Rêmulo Brandão reclama do sistema para pegar o bilhete Conforto, agilidade e comodidade. Tudo que os consumidores querem na hora de comprar ingressos para shows pela internet é que esses requisitos sejam cumpridos para justificar as altas taxas de conveniência cobradas pela organização dos eventos, que podem chegar a 30% do valor do bilhete […]

Rêmulo Brandão reclama do sistema para pegar o bilhete (Marcos Vieira/EM/D.A Press)  
Rêmulo Brandão reclama do sistema para pegar o bilhete

Conforto, agilidade e comodidade. Tudo que os consumidores querem na hora de comprar ingressos para shows pela internet é que esses requisitos sejam cumpridos para justificar as altas taxas de conveniência cobradas pela organização dos eventos, que podem chegar a 30% do valor do bilhete de entrada. A cobrança é legal e está associada às facilidades concedidas aos clientes em adquirir a entrada para os espetáculos em casa, sem ter que se deslocar ou enfrentar as longas filas na porta dos estádios.

Mas não é bem isso que vem ocorrendo. Shows internacionais de grande apelo popular, como o da cantora pop Madonna, realizado no fim do ano passado, costumam congestionar os sites de vendas e o que seria resolvido em alguns cliques se torna um suplício. “Fiquei de meia-noite, quando começaram as vendas, até 10h tentando fazer a compra. Pergunto-me se neste prazo não estaria com o ingresso nas mãos se optasse por enfrentar a fila”, afirma o designer Rêmulo Brandão, que vira e mexe encara a situação.

“Já fui ao show da Beyoncé, Kelly Minogue e agora vou no Black Eyed Peas e tirando o da Kelly Minogue, em todos gastei horas tentando realizar a compra. Considero uma taxa abusiva porque eles alegam que se trata de uma comodidade por comprar pelo site, mas na verdade não há comodidade nenhuma”, reclama. Para o show do Black Eyed Peas no Rio de Janeiro, previsto para 24 de outubro, Rêmulo desembolsou R$ 76,50 somente em taxa de conveniência para ir na área golden, a mais bem localizada. Isso, pagando R$ 450, referente à meia-entrada de estudante. Se pagasse o valor total do ingresso, a taxa subiria para R$ 153, referente a 17% do bilhete.

Além de ficar horas a fio na frente do computador para tentar confirmar a compra, muitos acabam enfrentando filas na hora de fazer a retirada do ingresso no local do evento. Para os órgãos de defesa do consumidor, a taxa, apesar de legal, deve cumprir o propósito de garantir benefícios aos fãs. “Pode ser cobrada desde que seja um serviço adicionado e que de fato agregue valor. A conveniência tem que ser clara e indubitável. Além disso, o consumidor deve ser informado previamente de sua existência”, afirma o advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Guilherme Varella.

A cobrança de taxa de entrega também é uma reclamação frequente e configura mais um abuso das organizadoras dos eventos. “Se você quiser receber em casa ainda tem que pagar um valor que varia de acordo com a região. Já estou pagando a taxa de conveniência, o certo seria estar incluído o envio do ingresso. Mas, ao contrário disso, tenho que ir ao estádio com antecedência para pegar na bilheteria, porque se fizer na hora do show, é caótico”, explica Rêmulo.

Assim como o designer, os consumidores que se sentirem lesados têm o direito de reclamar. “Devem-se pegar os comprovantes desse pagamento e abrir uma notificação no Procon. É preciso fazer com que a conveniência realmente ocorra e o local de retirada do bilhete deve ser de escolha do cliente e deveria estar incluído neste pacote. Não existe serviço extra do serviço extra”, esclarece Guilherme.

Os detalhes da cobrança devem estar claros, para que o consumidor saiba o que está pagando. Segundo a coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Maria Inês Dolci, tudo que está sendo coberto por aquela taxa tem que se discriminado. “Na maioria das vezes, o consumidor não sabe o que está pagando. Essa taxa tem que ser decomposta”, afirma.

No site das principais empresas de venda de ingressos para shows internacionais a taxa é justificada como “fonte através da qual oferece aos nossos usuários uma distribuição simultânea de ingressos assim como a atualização constante da tecnologia de ponta que suporta este serviço”, explica a Ticketmaster, que foi procurada pela reportagem, mas não se pronunciou sobre o assunto. O site Livepass ainda completa que a cobrança será realizada a partir da compra por intermédio de call center, internet e pontos de vendas e a taxa de entrega será acrescida no caso de envio ao domicílio do consumidor.