Comunidade acadêmica é contrária à federalização da UEMG
Um projeto de lei do governador Zema autoriza o Estado, por intermédio do Poder Executivo, a transferir para a União a gestão da UEMG
O Projeto de Lei (PL) 3.738/25, do governador Romeu Zema (Novo), autoriza o Estado, por intermédio do Poder Executivo, a transferir para a União a gestão da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). A resolução é alvo de críticas de representantes da comunidade universitária e dos deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Em conversa com a imprensa durante evento de homenagem ao Corpo de Bombeiros Militares de Minas Gerais nesta quarta-feira (2), o vice-governador Mateus Simões ironizou o pedido de arquivamento do projeto de federalização da UEMG, demandado pela comunidade acadêmica e deputados estaduais.
“A oposição pode fazer barulho, mas, no final das contas, os projetos estão andando”, diz Simões. “No fundo, o que percebemos é que, como a proposta veio do próprio governo federal, ao PT resta pouco em Minas Gerais o que fazer, que não aprovar os projetos. Os projetos são uma construção daquilo que é a solução que foi o próprio presidente da República que propôs. Eu preferi o perdão. Estou pagando porque, infelizmente, o governo federal nos obriga a pagar”, afirma.
O presidente da Associação dos Docentes da Uemg (Aduemg), Túlio César Lopes, indicou que outro projeto do pacote Propag deve ser lido em conjunto com o da federalização da Uemg. Trata-se do PL 3.733/ 2025, que autoriza a venda de diversos imóveis, alguns deles da universidade. A matéria seria indicativo da intenção final de privatização.
Além disso, a venda de patrimônios da universidade seria prerrogativa do Conselho Universitário, composto por mais de 50 servidores, de acordo com a reitora da Uemg, Lavínia Rosa Rodrigues. Segundo ela, é parte da autonomia administrativa da universidade, prevista na Constituição Federal, de forma que a venda conforme proposta seria inconstitucional.
Outro ponto considerado inconsistente pelos convidados é que, de acordo com Túlio Lopes, a lei que institui o Propag na União não prevê a transferência de autarquias. O convidado explicou que não há nenhum sinal de interesse da União em assumir a gestão da universidade, o que seria mais um sinal de que o objetivo final seria privatizar a gestão.
Vice alega “falta de confiança”
Para o vice-governador, a posição contrária da comunidade acadêmica seria uma “falta de confiança” na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Aparentemente, a reitora não confia no governo federal de jeito nenhum. Eu também não. Então, nisso eu e ela temos alguma coisa em comum. Aparentemente, os sindicatos que estavam lá ontem protestando sabem que o governo estadual paga em dia e o governo federal é caloteiro. Aparentemente, os alunos não querem se transformar em alunos de universidade federal, e a universidade está muito feliz em ser universidade estadual. Se for essa decisão no final, nós vamos lidar com essa decisão”, pontuou.
“Nós vamos caminhar com tranquilidade mesmo com todo o movimento que foi feito ontem durante a audiência pública”, finaliza Simões.




