Conheça Gabrielzinho, fenômeno do futebol itabirano com apenas 7 anos

Pequeno jogador já chama a atenção de grandes clubes

Conheça Gabrielzinho, fenômeno do futebol itabirano com apenas 7 anos
Foto: Arquivo pessoal
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Dribles rápidos, velocidade de raciocínio, improviso e frieza na frente do gol. Estas poderiam ser as características de um jogador já consagrado do futebol brasileiro, mas estamos falando de Gabrielzinho, fenômeno do futebol itabirano.

Com apenas 7 anos, Gabriel Lucas Borges Guimarães Ribeiro mostra uma habilidade fora do comum para garotos da sua idade. Tanto que em alguns dos vídeos com seus lances, Gabrielzinho atua entre atletas mais velhos, da categoria sub-9. Ainda assim, ele sobra.

Gabrielzinho

Tamanho talento tem chamado a atenção para além das terras itabiranas. O filho do casal Aline Ribeiro e Herbert Vianna já disputou (e ganhou) o torneio Summer Cup, derrotando o Cruzeiro na final.

Além disso, também já despertou o interesse de centros importantes do futebol brasileiro e foi convidado a conhecer o CT do Atlético-MG, onde encontrou Dadá Maravilha, ídolo do clube, que rasgou elogios ao itabirano.

Hoje, a promessa está treinando na FUTSALVIC, comandada pelo treinador Victor Caldeira. A escolinha possui núcleos na Arfita, Belleville, ARENAFUT e no Santa Teresa, com treinos de segunda a sexta-feira.

Amor que vem de berço

O carinho de Gabriel pela bola o acompanha desde sempre. A paixão é tão grande que outros brinquedos comuns para garotos da sua faixa etária, como carrinhos, são ignorados. Segundo a mãe, Aline Ribeiro, seu filho “joga por amor”.

“O Gabriel é uma criança que joga por amor. Já tentamos diversas vezes oferecer outras possibilidades, mas não tivemos êxito (risadas). Somos apaixonados por futebol, então acho que isso influenciou. Desde que aprendeu a dar os primeiros passos, ele nunca mais largou a bola. Carrinho aqui em casa é só enfeite”, explica.

Se por um lado a confiança em ver o pequeno jogador se tornar um grande atleta é grande, por outro é uma missão difícil lidar com tanta expectativa tão cedo. Aline explica como ela e seu marido, Herbert, tentam controlar a situação.

“Gabriel é muito ansioso. Se tem treino ou torneio, o dia que antecede ele não dorme. É muito difícil controlar essa ansiedade. Para nós, pais, é complicado ter que explicar que pode ocorrer dele não se tornar um jogador e ter que exercer outra profissão, porque ele não aceita. Então vamos tentando equilibrar as emoções”, relata.

Os pais, Herbert e Aline, e a irmã Sofia, de 5 anos. Foto: Arquivo pessoal

Mas a prudência não os impede de apoiar a trajetória do filho, que, segundo os pais, já está na mira de grandes camisas do futebol brasileiro. “O céu é nosso limite. Os sonhos de nossos filhos são nossos também. Se tem torneio fora estamos indo, qualquer situação que for favorável aos nossos filhos estamos vivendo.”

Tendo como maiores referências os brasileiros Neymar e Ronaldinho Gaúcho, Gabrielzinho não se vê fazendo outra coisa no futuro. Ele ainda comenta que atuar entre jogadores mais velhos passa longe de incomodá-lo. “Não me dá medo, imagino que são pequenos como eu. Então eu driblo mesmo, dou caneta e não ‘tô’ nem aí pra nada.”

Com a palavra, o treinador

Se para os pais controlar a ansiedade de Gabrielzinho é um desafio, para o treinador, Victor Caldeira, resta a missão de fazer com que o craque mirim continue evoluindo em outros aspectos do jogo.

Responsável pela escolinha FUTSALVIC, o treinador e ex-atleta ressalta que se trata de um jogador fora da curva, mas também diz que Gabriel, assim como outras crianças da sua idade, ainda tem pontos a desenvolver.

“O Gabriel tem uma habilidade inata. Ele faz situações complexas dentro do jogo se tornarem fáceis, devido a seu vasto repertório ao controlar a bola. Mas tem pontos a corrigir como qualquer outro garotinho da idade, como a coordenação e o jogo coletivo.”

Victor diz apostar em um tipo de treinamento que fomenta o espírito coletivo dos seus “pupilos”, sem que percam o talento e improviso que possuem.

“Utilizando o método situacional, desenvolvo atividades, não só para o Gabriel, mas para todos meus alunos, para que eles tenham a capacidade de resolver problemas dentro dos jogos e saberem se comportar como equipe. Assim, consequentemente, a ousadia e a habilidade irão aparecer mais, sendo muito mais produtivas, resultando em boas jogadas”, completa.

Gabrielzinho
À esquerda da foto, o treinador de Gabrielzinho, Victor Caldeira. À direita, Paulo Gaspar, técnico das categorias de base do América-MG. Foto: Victor Caldeira/Arquivo pessoal

Quem também faz elogios parecidos é Gilberto Monteiro, responsável pela captação de atletas do Brasil inteiro. Porém, ele salienta que o caminho até atingir o alto nível é árduo e depende de vários fatores.

“É um garoto que, pela idade, mostra algumas características interessantes na questão técnica. É um menino que tem uma boa relação com a bola, possui um repertório de jogadas interessantes, que é competitivo para sua idade. Então se ele tiver uma educação, um suporte familiar, o tempo vai dizer se ele irá conseguir atingir um patamar alto. Mas aí tem que fazer o dia a dia da melhor forma possível, treinar certinho. Para a família, principalmente, dar todo apoio educacional e familiar, não pressionar o garoto. Quem tem que gostar de fazer aquilo é o próprio garoto, não adianta pessoas externas quererem transmitir algo, sendo que ele que tem que fazer.”

O que acham os boleiros

Natural de Itabira, com passagem pelo Atlético-MG e hoje no Remo-PA, Renan Oliveira foi outro a se encantar com os lances de Gabrielzinho. Para o meia, que acaba de retornar de uma passagem vitoriosa pelo futebol lituano, o mais importante neste momento é lapidar o talento nato da criança.

“Ele já nasceu com o talento, agora é ter o cuidado com a formação dele. Logicamente, o primeiro passo para tudo isso é ele querer, sonhar em ser um jogador de futebol. Pelo que eu vejo, pela habilidade que ele tem, é natural que ele sonhe com isso. Se trata de um menino de 7 anos, eu sei como é muito ingrato esse mundo do futebol. Então é ter esse cuidado, os pais sempre acompanhando. Nunca deixar de lado os estudos mesmo com esse talento que ele mostra, porque a gente não sabe o dia de amanhã. Mas o que eu vejo é um potencial enorme num garotinho muito novo”, afirma.

Em visita ao CT do Galo, Gabrielzinho pôde conhecer um dos maiores ídolos do clube, Dadá Maravilha, que ainda mantém contato com a família. Foto: Arquivo pessoal

Peça fundamental do Athletic Club, surpresa do Campeonato Mineiro até aqui, o itabirano Igor Badio se surpreendeu com o talento do seu conterrâneo. A primeira reação do atacante ao ver os vídeos de Gabrielzinho foi perguntar se ele realmente possui apenas 7 anos.

Após o “choque” inicial, Igor afirmou que a forma com que o pequeno atleta se destaca, mesmo em categorias maiores, o fez lembrar de sua infância.

“É um moleque que a gente consegue enxergar um futuro brilhante pra ele. Quando eu tinha sete anos de idade, era mais ou menos como ele, me destacava muito em relação a alguns meninos muito mais velhos que eu. Claro, à medida que a gente vai crescendo e ficando mais velho, o futebol vai igualando um pouco. Quando você chega ali na idade dos juniores, junior, o futebol já iguala um pouco. Mas é muito bom ver um menino desta idade desenvolver um futebol tão bonito como ele está desenvolvendo, alegre, com bastante habilidade.”

Athletic
Com a experiência de quem disputa a elite do Campeonato Mineiro pelo Athletic, Igor Badio deu as suas impressões sobre a revelação itabirana. Foto: Fernando Moreno

Igor Badio também espera que Gabrielzinho tenha algo com que ele não pôde contar quando era criança: uma estrutura que favoreça seu crescimento.

“Na minha época, meus pais não tinham condições de me dar uma estrutura um pouco melhor, para que eu talvez conseguisse atingir objetivos ainda maiores. Acredito que hoje, como as coisas estão, ainda mais na escassez de jogadores bons e habilidosos como o Gabrielzinho aparenta ser, talvez seja mais fácil conseguir alguma coisa, alguém que possa ajudá-lo melhor, que possa encaminhá-lo a um centro maior. Mas é muito bacana ver um menino desenvolver essa habilidade toda, ainda mais sendo itabirano como eu”, comenta.