Matéria publicada na edição 266 da revista DeFato
Imagine um lugar bonito e harmônico, onde qualquer pessoa possa desfrutar de novas experiências. Um lugar que ofereça uma liberdade inspiradora, cercado de natureza e de cultura. Este lugar existe e fica mais próximo do que se possa imaginar: o Instituto Inhotim, em Brumadinho, a cerca de 60 quilômetros de Belo Horizonte.
Com uma área de mais de 140 hectares, o Inhotim é uma junção de jardim botânico e um acervo com aproximadamente 200 obras de arte contemporânea em exposição nas 22 galerias ou jardins do parque. Aberto à visitação em 2006, o instituto já recebeu aproximadamente dois milhões de visitantes e apresenta uma característica singular: a cada ano peças inéditas podem ser vistas, já que possui cinco galerias temporárias que vão recebendo novas obras do acervo de mais 700 obras que Inhotim reserva.
Diferente de monótonos museus espalhados pelo mundo, Inhotim oferece uma liberdade incrível ao visitante. As visitas não são guiadas, mas mediadas. Não há rotas pré-determinadas ou guias a seguir. A pessoa faz o seu próprio destino. Além disso, espalhados pelo parque, diversos funcionários estão preparados para sanar quaisquer curiosidades que os visitantes venham a ter. “Inhotim tem uma forma muito singular de expor a arte, seja numa galeria ou ao ar livre. Tudo aqui foi pensado e articulado para dialogar com a arte”, disse a diretora executiva adjunta do instituto, Raquel Novais.
Pelo tamanho da área e quantidade de opções, é impossível visitar o instituto em apenas um dia. Por isso, as pessoas devem se programar e estar preparadas para andar, mesmo que haja opções de aluguel de carrinhos. Ainda assim, é irresistível tirar um tempinho para deitar nos mais 120 bancos do artista brasileiro Hugo França ou até mesmo na grama.
Outra marca do Inhotim é a interatividade. Muitas das obras possibilitam a interação direta, como por exemplo o espaço reservado à brasileira Marilá Dardot. São centenas de vasos de cerâmica em formatos de letras que oferecem uma experiência de construção e desconstrução a todo momento em que visitantes escrevem seu nomes ou palavras na grama.
Mas não se limita a isso. A todo o momento, visitantes têm uma relação próxima com a natureza e suas mais de cinco mil diferentes espécies de plantas. As obras artísticas expostas também criam uma relação com o observador, a partir do momento que a arte contemporânea permite uma abertura para interpretações variadas: trata-se do que se sente.
“Inhotim é um lugar transformador. Te transforma cada vez que você vem aqui. De valores, de oferecer linguagem diferenciada, possibilidades estéticas diferentes, reflexões, mudanças comportamentais”, avaliou Raquel Novais.
Ainda sem data para inaugurar, o Inhotim já está construindo um hotel dentro do parque. Serão 41 quartos de 100m² que oferecerão mais conforto e praticidade aos visitantes.
Lado social
Inhotim não é apenas um museu de arte ou um jardim botânico. É também o segundo maior empregador de Brumadinho, e conta com mais de 1.500 funcionários, sendo 90% deles moradores da região.
O instituto possui projetos sociais voltados às comunidades, como o Laboratório Inhotim, direcionado para pesquisa em arte e botânica com jovens do ensino fundamental de Brumadinho. Todos os moradores da cidade, residentes há mais de três anos, pagam meia entrada. O Inhotim ainda tem projetos de música e bordados, além de incentivos a empresários da cidade, em busca de desenvolvimento, como por exemplo na rede de hotelaria.
“A gente tem uma visibilidade mundial, mas somos calçados com essa relação com a comunidade. Ser contemporâneo é ter esse relacionamento horizontal com o outro. É não abandonar as raízes, as memórias”, contou Raquel Novais.
Gastronomia
Inhotim destaca-se também pela gastronomia. Além de várias lanchonetes espalhadas pelo espaço e do Café do Instituto, dois restaurantes reservam o melhor da culinária. O restaurante Oiticica é localizado ao lado da Galeria Lago e oferece um buffet a quilo.
Já o restaurante Tamboril oferece um ambiente agradável integrado aos jardins do Inhotim. O cardápio, preparado pela cheff Daílde Marinho, de 47 anos, harmoniza a culinária internacional de alto padrão e uma boa carta de vinhos. O restaurante oferece opções à la carte e buffet, além de uma mesa de sobremesas com doces diversos.
“A gente recebe gente do mundo inteiro, então dou uma atenção especial a cada prato. Com muita ou pouca gente, o cuidado é grande. Elaboro todo o cardápio diariamente e sempre procuro oferecer uma grande variedade, desde pratos mais simples a opções sofisticadas”, contou a cheff.
O sabor da comida é muito bom, e aliado ao clima agradável do restaurante e à simpatia dos funcionários, torna-se comum famílias irem ao Inhotim apenas para almoçar. “Já recebemos algumas premiações. É um lugar que ninguém pode morrer sem conhecer”, recomendou Daílde.
Como chegar
Mesmo para quem não conhece, o acesso à Brumadinho é muito fácil. Em Belo Horizonte, pela BR-381 é só seguir sentido Contagem/Betim/São Paulo. Após passar o posto da Polícia Rodoviária Federal, siga aproximadamente 800 metros até a saída do KM 501 para Rodovia MG-040. Depois é só seguir as placas Inhotim/Brumadinho por aproximadamente 25km.
Mas mais fácil ainda é pegar o ônibus da Saritur na rodoviária de Belo Horizonte. A empresa é patrocinadora oficial do Inhotim e faz o translado para o instituto. Os ônibus saem da plataforma F2 às 8h15 e retornam às 16h30 de terça à sexta-feira. Sábados, domingos e feriados o retorno acontece às 17h30.
A praticidade da viagem fez com que a itabirana Sanderly do Carmo e Silva optasse pela viagem de ônibus. Atualmente morando e trabalhando em Belo Horizonte, foi sua segunda vez em Inhotim e a primeira pela Saritur. “É muito mais tranquilo vir de ônibus. É mais confortável e a gente fica mais à vontade. Não precisa dirigir e ainda ajuda a reduzir o trânsito, já que as estradas são estreitas”, contou a visitante.
Outra que aprovou o instituto e o serviço de transportes foi a gaúcha de Porto Alegre, Tânia Menezes, 54. “Foi a primeira vez que vim a Inhotim e foi uma grata surpresa. Achei lindíssimo. Não tive dificuldade alguma para chegar, porque fui até a rodoviária e tinha o serviço direto. Achei excelente”, avaliou.
Funcionamento
O parque funciona de terças a sextas-feiras das 9h30 às 16h30. Sábados, domingos e feriados o horário se estende às 17h30. Nas segundas-feiras o parque fecha para manutenção.
Valores
Terças e quintas-feiras: R$ 25
Quartas-feiras (exceto feriado): entrada gratuita
Sextas, sábados, domingos e feriados: R$ 40