Conheça Sara Amorim, primeira mulher graduada com prajied preto no muay thai de Itabira e região
Há seis anos, Sara Amorim fundou o próprio centro de treinamento em Itabira, referência não apenas na prática esportiva, mas também na formação humana de crianças, jovens e adultos
Mais do que golpes, chutes e joelhadas, o muay thai mudou a forma como Sara Amorim enxergava a própria vida. Há cerca de dez anos, ela entrou no esporte buscando apenas melhorar o condicionamento físico e combater o sedentarismo. Sem afinidade com musculação e enfrentando inseguranças pessoais, ela encontrou na arte marcial algo que iria muito além da atividade física.
Sara Amorim foi a primeira mulher graduada com o prajied preto da modalidade na região de Itabira e carrega consigo uma trajetória marcada por superação, autoestima, disciplina e transformação social. “Eu era uma pessoa muito medrosa, frustrada, não confiava em mim mesma. O muay thai me ensinou a confiar, a levantar a cabeça e a entender que eu também era capaz”, relembra.
O que começou como um desafio pessoal rapidamente se transformou em missão de vida. Há seis anos, Sara e o companheiro Lourival Silva fundaram o próprio centro de treinamento em Itabira. O espaço, localizado na rua Presidente Kennedy, no bairro Bela Vista, se tornou referência não apenas na prática esportiva, mas também na formação humana de crianças, jovens e adultos. Hoje, o CT Sara Amorim reúne cerca de 150 alunos, de diferente faixas etárias. “Aqui não ensinamos só luta. Ensinamos respeito, disciplina, compromisso e autoestima”, destaca Sara.
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A professora — que também participa de projetos sociais desenvolvidos em parceria com a Prefeitura de Itabira, atendendo crianças e adolescentes — lembra que sua própria trajetória dentro do esporte foi cercada de desafios. Sem coordenação motora no início dos treinos, ela chegou a acreditar que jamais conseguiria evoluir dentro da modalidade. A persistência, no entanto, mudou tudo. A graduação ao prajied preto veio através da Federação do Rio de Janeiro, sob orientação do mestre Jefferson Franco. O exame, realizado em território fluminense, exigiu horas intensas de treino físico, técnica e sparring. Ao final, veio a conquista histórica.
“Quando colocaram o prajied preto no meu braço, eu não acreditei. Era um sonho muito distante. Hoje, trazer isso para Itabira e ser a primeira mulher da região é uma honra enorme”, conta emocionada.
Além de atleta e professora, Sara também se tornou inspiração para outras mulheres. Dentro do próprio CT, ela já formou uma instrutora prajied vermelho e branco e prepara uma nova graduação para junho. O ambiente feminino forte e acolhedor é uma das marcas do projeto. Para a aluna Vanderlaine Silva, que treina há cinco anos e se prepara para se tornar instrutora, a presença de Sara no comando faz diferença. “O muay thai deixa a mulher mais autoconfiante. A Sara é uma grande inspiradora pra gente”, afirma.

Quem também encontrou transformação no esporte foi José Nunes. Há quase um ano treinando no CT, ele conta que o muay thai teve papel importante até mesmo no abandono de medicamentos psiquiátricos. “O esporte proporcionou uma mudança absurda na minha vida. Aqui virou praticamente uma família”, relata.

Já a jovem Maira Lima define o espaço como uma segunda casa. “Ter a Sara como referência é inspirador. A gente sabe como é difícil para uma mulher ocupar esse espaço”, diz.

Ao lado de Sara desde o início da caminhada, Lourival Silva acompanha de perto cada conquista da esposa, dentro e fora do tatame. Segundo ele, o reconhecimento atual é resultado de anos de esforço e persistência. “Ela é batalhadora, vencedora e está só começando. O mais bonito é ver como o seu trabalho transforma pessoas”, afirma.
Apesar de já possuir uma conquista histórica, Sara ainda sonha alto. Entre os planos futuros estão ampliar os projetos sociais, investir na formação de atletas de competição e construir uma academia com estrutura profissional, incluindo ringue e eventos de grande porte em Itabira. Ela também pretende expandir o trabalho voltado à defesa pessoal feminina, diante do aumento dos casos de violência contra mulheres. “Não é para enfrentar ninguém. É para que elas saibam se defender, tenham confiança e entendam a força que possuem”, ressalta.
Em tempo: No próximo dia 6 de junho, o Centro Olímpico de Itabira recebe um novo exame de graduação da equipe, aberto ao público. O evento contará com a presença do mestre Jefferson Franco e deve reunir dezenas de atletas da região. Mais informações serão divulgadas em breve.
