Consumidor comprou menos por impulso em abril
Pesquisa mostra que o número de pessoas que não planejaram os gastos subiu de 22,8%
A Pesquisa de Orçamento Doméstico referente ao mês de abril mostra que o número de pessoas que não planejaram os gastos subiu de 22,8% em março para 29,1% em abril, ao mesmo tempo em que as compras por impulso tiveram uma leve retração, 39,9% em abril contra 41,7% em março. A pesquisa revela, também, que 70,9% dos consumidores buscam planejar o orçamento mensal. Desses, 34,5% afirmaram ter uma postura mais rígida, planejando e seguindo o orçamento, índice acima dos 32,6% apurados em março.
De acordo com o economista da Fecomércio Gabriel de Andrade Ivo, há uma incoerência entre opiniões e comportamentos declarados. “A maioria diz que planeja os gastos, que adota uma postura consciente no que diz respeito ao consumo, mas nem todos adotam no dia a dia, práticas coerentes a essas opiniões”, ressalta. Em relação ao planejamento não eficiente, o percentual de consumidores que planejaram mas seguiram apenas parcialmente correspondeu a 31,5% dos entrevistados. Já os que planejam o orçamento e não conseguem seguir, somam 4,9% das respostas, revelando um leve recuo em relação a março (7,3%).
Para Gabriel, a análise da diferença (Gap) entre a intenção e o hábito dos consumidores ao longo dos dois últimos anos mostra que o período em que a diferença ficou mais próxima de zero foi no auge da crise econômica, quando a confiança do consumidor estava frágil e, portanto, mais prudente em suas compras. Após esse período, o consumidor começou a planejar mais seus gastos, entretanto, após readquirir a confiança na economia passou a comprar mais, o que gerou grande lacuna entre a intenção e o hábito. “Tais indicadores reforçam que o consumidor brasileiro não tem a cultura da educação financeira, levando-o, muitas vezes, ao descontrole orçamentário, uma das principais causas da inadimplência”, enfatiza o economista. (Fecomércio)