Consumo de energia desacelera, mostrando reflexos da crise no setor

Apesar de apresentar características defensivas, o setor de energia elétrica não está imune aos impactos da crise financeira mundial. Um dos indícios mais fortes disso é a desaceleração do consumo de energia no último ano, especialmente na classe industrial. Afetado pela crise internacional, o consumo de energia da indústria cresceu apenas 2,4% em 2008, de […]

Apesar de apresentar características defensivas, o setor de energia elétrica não está imune aos impactos da crise financeira mundial. Um dos indícios mais fortes disso é a desaceleração do consumo de energia no último ano, especialmente na classe industrial.
Afetado pela crise internacional, o consumo de energia da indústria cresceu apenas 2,4% em 2008, de acordo com dados da EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Em compensação, o volume total de consumo subiu 3,8% no ano passado, apoiado nas classes comercial e residencial.
 
Conforme os analistas do Unibanco , o desempenho dessas outras classes tem três motivos principais: a elevação do número de conexões, o aumento da renda real e uma performance econômica melhor em 2008.
 
Consumo industrial piora
No mês de dezembro, a classe industrial teve a pior performance desde junho de 2006, com queda de 8,8% na base de comparação anual. "É importante ter em mente que nós não observamos nenhuma redução em base de comparação mensal desde 2001", lembra o banco.
 
O problema maior é que a classe industrial tem uma grande dependência dos setores de mineração e siderurgia, que atualmente não enfrentam um bom momento devido à fragilidade econômica mundial.
Impactos da crise nos segmentos
 
Considerando que os dados confirmam a esperada redução no consumo de energia elétrica, os analistas do Unibanco acreditam que 2009 será pior do que 2008 de modo geral. Porém, o fato é um driver negativo principalmente para o segmento de distribuição.
 
"Apesar de que todos os custos não-gerenciáveis pudessem ser repassados inteiramente para os consumidores finais, as companhias de distribuição deveriam passar de 100% a 103% para as tarifas", explicam os analistas, acrescentando que, caso o consumo de energia caia mais, a companhia terá de realizar perdas e vender a energia extra no mercado livre.
 
Embora prefira os segmentos de transmissão e geração, o Unibanco guarda ressalvas quanto ao último. Para a instituição, apenas as companhias que têm contratos inflexíveis estão menos suscetíveis aos impactos da crise. De maneira geral, os analistas acreditam que o primeiro trimestre de 2009 será um ótimo parâmetro para saber sobre o resto do ano em relação ao consumo de energia. É esperar para ver.
 
Recomendações
No curto prazo, o Unibanco vê um cenário neutro para transmissão e geração, com exceção de empresas como a Tractebel, que tem 20% de seus contratos com cláusulas de flexibilidade. Em sentido oposto, para as companhias de distribuição, principalmente aquelas com maior exposição à classe industrial, como Cemig, Celesc e Copel, o cenário deve ser negativo.