Contrariando determinação, ônibus continua com excesso de passageiros em BH
Mesmo com os avisos para evitar aglomerações, os locais de embarque e desembarque de passageiros ficam lotados
Paulo Henrique Dias
De Belo Horizonte
Com o início da pandemia, as empresas que gerenciam as linhas de ônibus de Belo Horizonte foram instruídas a transportar apenas passageiros sentados. No entanto, basta acompanhar a rotina nos pontos de ônibus da capital mineira para perceber que o cenário é outro. Mesmo com os avisos para evitar aglomerações, os locais de embarque e desembarque de passageiros estão ficando lotados.
Desde o começo do isolamento social, o sistema de transporte público tem operado com horários reduzidos para atender trabalhadores essenciais. Para a técnica de eletrônica e equipamentos biomédicos, Raquel Elaine, 28, utilizar o transporte público, em especial a linha 522H que sai do terminal Justinópolis, região de Ribeirão das Neves, tem sido um desafio diante do excesso de passageiros.
Elaine trabalha na área hospitalar de BH e faz, todos os todos dias, o trajeto 2 horas “A situação não é boa, já que o ônibus está indo muito cheio. As filas no terminal estão gigantes. Mas é impossível respeitar a distância segura de uma pessoa para outra” conta a técnica.
Ainda segundo Eliane, para minimizar a exposição dentro do ônibus, ela tem usado máscaras e álcool gel. No entanto, nem todos tem aderido as recomendações de prevenção do poder público. Dessa forma, para não contraír o coronavírus e infectar parentes que estão no grupo de risco da doença, a técnica conta que ao chegar em casa busca se higienizar e separar a roupa que usou durante o trajeto de volta para casa. “Assim que eu chego do trabalho, vou direto para o banheiro. Coloco a roupa que eu estava usando em lugar isolado. Temos álcool em gel”, afirma Eliane.

Região Metropolitana
Já em Ibirité, a situação segue da mesma forma. A exemplo do desrespeito, a linha 3560, controlada pela RMBH 3 – Consórcio Metropolitano de Transporte, sai logo pela amanhã lotado, como conta a recepcionista do Hospital Metropolitano que preferiu não se identificar.
“Até chegar no serviço, eu pego 3 ônibus. Sempre o primeiro vai bastante cheio, pois é o único ônibus que temos no bairro que vai para o centro de BH. Desde que os horários foram reduzidos, o ônibus anda cada dia mais cheio. E, para que eu não chegue atrasada no serviço, tenho que enfrentar o ônibus, com pessoas em pé, sem máscara e sem manter o afastamento adequado entre uma pessoa e outra”, alerta a recepcionista.
Esclarecimento
A equipe de reportagem do portal DeFato Online entrou em contato via e-mail com as empresas responsáveis, Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG) e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram).
Em nota, a Sintram disse reconhecer situações específicas de passageiros que tenham viajado em pé. E que, devido as dificuldades financeiras e à queda da demanda de passageiros, mantém o compromisso de manter as equipes trabalhando da melhor forma possível. A Sintram ainda destacou a colaboração do usuário para que evite entrar em ônibus cheios.
Já a DER/MG destacou que o usuário que constatar qualquer irregularidade deve registrar as reclamações sobre horários ou outros problemas com os serviços no Atendimento ao Usuário do DER-MG, pelos canais de comunicação disponibilizados: telefone 155 opção 6, para ligações de aparelho fixo, e (31) 3069-6601, para ligações de aparelhos fixos e celulares.
Confira a nota do Sintram na íntegra
Belo Horizonte, 16 de abril de 2020. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram) informa que a demanda de passageiros do sistema metropolitano caiu cerca de 70% desde que o Governo de Minas e demais autoridades passaram a recomendar o isolamento domiciliar como forma de prevenção ao coronavírus. Desde então, as associadas estão tendo que ajustar diariamente o quadro de horários e operar de acordo com o decreto do Governo de Minas que limita a quantidade de passageiros ao número de assentos.
O Sintram reconhece que, em algumas situações específicas, é possível que passageiros tenham viajado em pé e que, apesar das dificuldades financeiras, devido à queda da demanda de passageiros, mantém o compromisso de manter as equipes trabalhando da melhor forma possível. O Sintram também pede que o usuário colabore para evitar aglomerações, principalmente, ao evitar entrar em ônibus cheios e esperando que o próximo veículo passe.
Confira a nota do DER/MG na íntegra
As empresas do Sistema de Transporte Metropolitano deverão seguir a determinação do Governo do Estado no sentido de observarem o limite dos passageiros sentados. A fiscalização da medida está sendo realizada pelas autoridades de Segurança Pública, em conjunto com o DER-MG, conforme as deliberações do Comitê Extraordinário COVID-19 e uma equipe do Departamento programará ações de fiscalização para as duas linhas citadas, 3560 e 522H.
A colaboração do usuário é fundamental, não entrando ou insistindo em entrar em veículos que já estejam com a lotação estipulada, por se tratar de uma medida em prol da saúde de todos.
Os passageiros devem registrar as reclamações sobre horários ou outros problemas com os serviços no Atendimento ao Usuário do DER-MG, pelos canais de comunicação disponibilizados: telefone 155 opção 6, para ligações de aparelho fixo, e (31) 3069-6601, para ligações de aparelhos fixos e celulares. Eventuais irregularidades serão apuradas e aquelas empresas que descumprirem as regras serão punidas.
Vale ressaltar que a Seinfra determinou que as empresas mantenham funcionários e ônibus extras de prontidão, para permitir que adequações pontuais sejam realizadas o mais rápido possível.




