Convocação de Neymar é a cereja do bolo de uma seleção que costumava ser séria

Ao ser questionado pelo jornalista Paulo Vinícius Coelho sobre os critérios utilizados para convocar Neymar e ignorar o atacante João Pedro, Ancelotti se enrolou

Convocação de Neymar é a cereja do bolo de uma seleção que costumava ser séria
Foto: Raul Baretta/Santos FC

Cinco títulos de Champions League, seis campeonatos nacionais, dois mundiais de clubes… nem mesmo o vasto currículo impediu Carlo Ancelotti de gaguejar ao tentar explicar o inexplicável. Ao ser questionado pelo jornalista Paulo Vinícius Coelho (PVC) sobre os critérios utilizados para convocar Neymar e ignorar o atacante João Pedro — dono de ótima temporada na liga inglesa, principal disputa nacional da Europa —, Carleto se enrolou.

Afinal, nada, além do enorme lobby feito nos últimos meses, justifica a presença de um ex-astro rejeitado pela elite mundial e hoje pouco influente no periférico futebol brasileiro. Uma piada de mau gosto que casou, perfeitamente, com o constrangedor evento de anúncio dos 26 representantes da seleção brasileira na Copa de 2026.

Como não se envergonhar com a histeria do público presente no Museu do Amanhã após o técnico italiano citar o nome de Neymar? É isso que virou a única seleção pentacampeã mundial?

A camisa que se dava ao luxo de ignorar craques do nível de Alex, Djalminha e Marcelinho Carioca agora implora, desesperadamente, por um jogador que sequer rendeu no futebol saudita. Impossível achar isso normal.

A expectativa, agora, é saber como Neymar será utilizado. Cada minuto no banco será discutido incessantemente durante um mês, mas a presença em campo poderá expor o óbvio: ele não possui mais condições técnicas e, sobretudo, físicas para atuar em alto nível.

Sobre a lista, como um todo, as principais boas notícias são as convocações de Endrick e Rayan. Por outro lado, figuras como Weverton, Alex Sandro e Danilo geram muitas dúvidas.

O primeiro está, sim, em boa fase, mas já não é mais um goleiro da primeira prateleira do Brasil. E quem afirmou isso foi o próprio Palmeiras, ao optar por encerrar seu ciclo. Já os laterais Alex Sandro e Danilo não são nomes incontestáveis nem no Flamengo. Para a coluna, Everson, Carlos Miguel, Kaiki e Luciano Juba seriam nomes mais interessantes neste momento.

No geral, o grupo é medíocre e não desperta confiança, até pela falta de desempenho das suas principais referências técnicas com a amarelinha. O torcedor pode e deve acreditar, é de graça. Mas, diferente de outros anos, o Brasil iniciará uma Copa do Mundo bastante desacreditado.

O sintoma mais grave de uma seleção que costumava ser séria.

Sobre o colunista

Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.

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