Copa América: Bolsonaro confirma jogos em Brasília, Rio, Mato Grosso e Goiás
Além do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Casa Civil, Luiz Ramos, também confirmou as possíveis cidades sede da Copa América no Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou, nesta terça-feira (1º), que o Brasil será sede da Copa América. Ele informou que os governadores do Distrito Federal, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Goiás aceitaram receber os jogos da competição.
“Escolhemos as sedes em comum acordo, obviamente, com os governadores. Agora, já tivemos quatro governadores: aqui de Brasília, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Goiás. E mais um agora, que chegou um pouco atrasado, também se prontificando a sediar a Copa América. Então, ao que tudo indica, prezado Queiroga (ministro da Saúde), seguindo os mesmos protocolos, o Brasil sediará a Copa América”, disse Bolsonaro, durante evento no Ministério da Saúde, onde foi anunciada a transferência de tecnologia para o laboratório da Fiocruz fabricar a vacina da AstraZeneca contra o coronavírus.
Pelas redes sociais o ministro da Casa Civil, Luiz Ramos, após incertezas e ter dito que não havia “nada certo”, endossou o que havia dito o presidente e corrigiu um dos estados divulgados pelo chefe do Executivo. Uma das sedes será Mato Grosso, onde fica a Arena Pantanal, construída para a Copa do Mundo, e não Mato Grosso do Sul. Brasília, Cuiabá, Goiânia e Rio de Janeiro serão as cidades que vão abrigar o controverso evento.
“Confirmada a Copa América no Brasil. Venceu a coerência! O Brasil que sedia jogos da Libertadores, Sul-Americana, sem falar nos campeonatos estaduais e Brasileiro, não poderia virar as costas para um campeonato tradicional como este. As partidas serão em MT, RJ, DF e GO, sem público”, escreveu Ramos.
Pouco tempo depois do anúncio do presidente, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que o estado não receberá jogos do campeonato. A declaração do tucano foi um recuo em relação à defesa que fizera mais cedo dos jogos.
“Comuniquei ao secretário-geral da CBF que SP não deverá sediar a Copa América. Após ampla consulta aos membros do Centro de Contingência sobre os efeitos que a realização da Copa América teria sobre a Pandemia de Covid-19 no estado de São Paulo, os cientistas apontaram que neste momento a realização do torneio representaria uma má sinalização de arrefecimento no controle da transmissão do coronavírus, prioridade absoluta do Governo do Estado”, argumentou Doria.
A transferência do evento para o país foi anunciada após Colômbia e Argentina desistirem de receber o torneio por conta de protestos populares e o agravamento da pandemia, respectivamente. O Brasil foi escolhido com o argumento de possuir estádios em boas condições de uso, apesar de alguns estarem ociosos após a Copa do Mundo de 2014.
O anúncio gerou críticas por acontecer em meio à pandemia de Covid-19. Na segunda, governadores passaram a rejeitar a possibilidade de receber jogos do torneio em seus Estados. Rio Grande do Sul, Pernambuco e Rio Grande do Norte já alegaram não ter condições de receber um evento desse porte neste momento.
Quando anunciou o Brasil como sede da Copa América, o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, fez questão de agradecer nominalmente Bolsonaro. “Quero agradecer muito especialmente ao presidente Jair Bolsonaro e a seu gabinete por receber o torneio de seleções mais antigo do mundo. Igualmente meus agradecimentos vão para o presidente da CBF, Rogério Caboclo, por sua colaboração”, disse o dirigente máximo da Conmebol nas redes sociais.
Seleção blinda atletas de polêmica envolvendo Copa América no Brasil
O anúncio de que o Brasil será sede da Copa América repercutiu no trabalho da seleção brasileira, que está concentrada na Granja Comary, em Teresópolis, se preparando para os dois próximos jogos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Mas foi uma repercussão às avessas: enquanto que jogadores de outras seleções — como a uruguaia — têm se manifestado contrariamente à competição no país, por aqui vigora uma espécie de lei do silêncio. Nada de entrevistas, e discrição nas redes sociais.
Na segunda-feira (31), a Conmebol anunciou pouco depois das 11h da manhã que o Brasil sediaria a Copa América. Àquela altura, repórteres que cobrem o dia a dia da seleção já sabiam que o volante Fred e o meia Lucas Paquetá concederiam entrevista coletiva no início da tarde — havia inclusive uma lista pronta de jornalistas que haviam se inscrito minutos antes para fazer as perguntas. A coletiva, porém, foi cancelada 17 minutos antes do horário previsto para começar.
Isolada em Teresópolis e sob um protocolo sanitário que limita o acesso de pessoas à Granja Comary, a seleção treina no local desde a semana passada. As entrevistas coletivas são feitas por vídeo. Além daquela cancelada de segunda-feira, havia outra prevista para esta terça, que não também não ocorreu. A delegação viaja a Porto Alegre nesta quarta-feira (2) e, assim, é provável que a próxima entrevista ao vivo acontece apenas na quinta-feira (3), véspera do jogo com o Equador — e isso porque se trata de um evento obrigatório, com a presença do técnico Tite.
Os jogadores também têm sido discreto nas redes sociais. Conhecido por sempre se posicionar ao lado de quem mais precisa, e com uma publicação fixada no Twitter desde o ano passado em que fala sobre a importância de se combater a Covid-19 a partir de decisões científicas, o atacante Richarlison tem postado amenidades e brincadeiras. Neymar, por sua vez, fez nesta terça uma referência ao seu patrocinador. Pareceu ignorar solenemente o pedido do senador Renan Calheiros (MDB-AL) para que não jogue a Copa América.
Não houve nenhuma espécie de veto à manifestação dos jogadores, mas a suspensão das entrevistas coletivas foi, sim, motivada pelo anúncio repentino da Copa América do Brasil. A incerteza que paira sobre a competição e a enxurrada de críticas nas redes sociais certamente seriam abordadas nas entrevistas, e qualquer declaração fora do prumo teria potencial para atrapalhar o trabalho de Tite — e, na outra ponta, de quem tenta viabilizar o torneio em solo brasileiro.
O silêncio visto na seleção é o mesmo que impera na cúpula da CBF. Apesar do impacto do anúncio da Copa América no Brasil, até o início da noite dessa terça-feira, mais de 30h após a Conmebol anunciar o país como sede da competição, nenhuma declaração oficial havia sido dada por qualquer cartola da entidade — tampouco era possível encontrar qualquer linha sobre o assunto no site da CBF.