Coronel Fabriciano usa homeopatia para barrar epidemia de dengue
O município com terceiro maior índice de Infestação do Aedes Aegypti em Minas Gerais (6,9%), somado a duas mortes por suspeita de dengue hemorrágica, fez a Prefeitura de Coronel Fabriciano tomar medidas mais enérgicas para conter uma possível epidemia. A aposta é na homeopatia. Mutirões serão realizados, a partir de amanhã, em toda a cidade, […]
O município com terceiro maior índice de Infestação do Aedes Aegypti em Minas Gerais (6,9%), somado a duas mortes por suspeita de dengue hemorrágica, fez a Prefeitura de Coronel Fabriciano tomar medidas mais enérgicas para conter uma possível epidemia. A aposta é na homeopatia. Mutirões serão realizados, a partir de amanhã, em toda a cidade, para que a população, de aproximadamente 105 mil habitantes, tome gratuitamente as duas gotas de um remédio homeopático que promete diminuir a suscetibilidade do corpo à dengue, além de amenizar os efeitos da doença.
A novidade vem da cidade de Macaé (RJ), pelas mãos da médica homeopata e coordenadora de Saúde Coletiva da Prefeitura Municipal daquela cidade, Leila Nunes. Segundo a especialista, enquanto as cidades vizinhas registravam aumento da doença de até 300%, Macaé reduzia significativamente seus índices.
“Após distribuirmos o medicamento, reduzimos em até 65% as notificações por dengue no ano de 2008, em relação ao ano anterior. Nos três primeiros meses de 2008, comparados com o mesmo período de 2007, o índice de casos de dengue caiu em 93%. Começamos a aplicação na população durante o pico da epidemia. Percebemos a queda dos casos ainda no mesmo ano, mas foi muito mais brusca do que nos anos anteriores”, explica a médica.
O interesse no remédio partiu após uma série de reportagens sobre os resultados alcançados contra a dengue em Macaé. A Prefeitura de Coronel Fabriciano então decidiu por também distribuir o medicamento à população, e entrou em contato com a médica.
Segundo o prefeito e médico Chico Simões (PT), um mutirão está previsto para ser realizado às 8 horas deste sábado, a partir do Bairro Caladão, um dos locais de maior incidência da doença. “Vamos passar em todas as casas e pingar as duas gotas em cada morador, principalmente pelos bairros de maior notificação da dengue. Após o início, em oito dias esperamos concluir a aplicação. Não quer dizer que não haverá mais casos, mas quem tomou o medicamento terá a dengue mais branda”, garante.
Simões também afirmou que o remédio já está pronto para ser distribuído. “Assinamos um contrato com a empresa Naturalmente. Cada frasco contém 600 gotas, duas para cada pessoa, então são 300 doses. Para a população de Fabriciano pedimos 330 frascos do medicamento. O custo também é muito baixo. Ao todo saiu por R$ 1.485, já que cada vidro custou R$ 4,50. Se fosse comprado na loja, sairia por R$ 8,50 cada um”, diz o prefeito.
“Criamos mutirões de limpeza, o projeto cata-bagulho, campanhas de conscientização, o disque-dengue, temos mais agentes de saúde que o recomendado pelo Ministério da Saúde e mais recentemente criamos a aprovamos a lei que autoriza o Executivo a aplicar multas de R$ 680 a R$ 1.380 para os cidadãos que não colaborarem na eliminação do foco do Aedes aegypti. Mesmo assim, o índice de infestação está alto. Falta a conscientização da população e isso demora para mudar. A dengue em Fabriciano pode piorar ainda mais”, conclui Chico Simões.
Remédio ajuda a reduzir hemorragia
O remédio é composto por três substâncias: Phosphorus, Eupotorium e Crotalus horridus. A Eupatorium é uma planta de origem norte-americana que serve para amenizar a febre e as dores no corpo. O Crotalus é um extrato que vem do veneno da cobra cascavel e ajuda a diminuir a tendência à hemorragias e o Phosphorus é uma substância que também diminui a tendência à hemorragia. Segundo Leila Nunes, sua validade dura aproximadamente seis meses, não possui contra-indicações e pode ser usado por pessoas de todas as idades, inclusive gestantes.
A assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Saúde informou que as secretarias municipais têm autonomia para adotar soluções ou medidas que considerem mais adequadas para resolver suas questões. No caso específico de Coronel Fabriciano, é entendimento da Secretaria que a utilização de um medicamento homeopático certamente passou pelo crivo da vigilância sanitária local, que atestou as condições de fabricação e os componentes da fórmula do produto.
Militares das Forças Armadas também passam a combater o mosquito transmissor da dengue no Estado. Hoje termina o curso de capacitação ministrado pela secretaria estadual para 100 soldados do 12º Batalhão de Infantaria (BI) de Belo Horizonte. Outros 200 militares serão treinados nas próximas duas semanas para participar de ações na Região Metropolitana ou em outras cidades do Estado. A efetivação das Forças Armadas no combate ao Aedes aegipty foi um acordo entre os ministérios da Saúde e de Defesa. A ideia é capacitar 2 mil soldados no Brasil.
Esta primeira turma de soldados deve atuar primeiramente nas ações intersetoriais das nove regionais da Prefeitura de BH e em cidades circunvizinhas que tenham registrado grande número de infestação pelo mosquito ou com poucos agentes sanitários e de controle de zoonoses para fazerem visitas e combate aos focos. No treinamento, os militares tiveram contato com o Difluberazon, novo inseticida que passa a ser adotado, por ter maior poder de ação e ser menos tóxico.(Com Gabriel Pascoal)