Costureiras “comemoram” crise e aumentam faturamento em Itabira

Costureiras estão faturando mais no período de crise

Costureiras “comemoram” crise e aumentam faturamento em Itabira

A crise econômica vivida pelo Brasil tem afetado a rotina de grande parte a população. Com a inflação em alta, produtos e serviços estão mais caros, além de muitos setores terem demitido para manter a estabilidade comercial. O cenário desfavorável força os consumidores a escolher alternativas eficientes para não aumentar os seus gastos. Comprar roupas novas, por exemplo, tem ficado em segundo plano. A opção para enfrentar a crise é abrir o guarda-roupa e reformar as peças velhas.

Em Itabira, as costureiras têm notado um aumento no número de clientes no primeiro semestre deste ano. Ana Maria Rodrigues, de 52 anos, trabalha como costureira e afirma que não sentiu a crise. “Achei que tudo ia cair, mas o serviço de reformas e reparos dobrou”, contou.

Rosária Glória, 66, trabalha há 15 anos no mesmo espaço no bairro Praia. Segundo ela, os clientes têm reclamado da situação financeira. A demanda de serviços da costureira aumentou em 20%. “A maioria traz é roupa velha, surrada, para reformar mesmo, e não peça nova que estragou”, revela.

A nova tendência é confirmada pela vendedora Gerônima da Conceição dos Santos, de 45 anos. Ela optou por reformar uma roupa para economizar o salário. “Não tem como a gente comprar o que está precisando. Temos que vir reformar o que temos. Sai mais em conta e gasta o salário com outras coisas essenciais”, explicou a consumidora.

O mesmo vale para Sebastiana Souza da Conceição, 55. Ela levou um vestido novinho para reformar. “Ganhei um vestido e trouxe para reformar. A dona usou uma vez e me deu, está novinho, mas fica largo. Vou ajustar ao meu corpo”, contou a dona, que vai economizar bastante e não precisará comprar uma nova peça.

Quem também percebe o aumento no número de pessoas querendo reformar as roupas velhas é Maria Inês Nepomuceno Santos, de 57 anos. Ela trabalha como costureira há 43 anos e revela que os clientes também não têm optado por confeccionar roupas sob medida. “A fabricação nossa caiu muito, mas os reparos aumentaram em torno de 70% com relação ao ano passado”, disse.

Além dos reparos, os consumidores têm procurado as costureiras para renovar as roupas. “Pedem para a gente acrescentar um detalhe, refazer alguma parte para mudar o modelo da roupa. A gente faz e fica nova”, explicou Maria Inês. Enquanto para uns a crise é um problema, para a costureiras é oportunidade de faturar e trabalhar mais.