Site icon DeFato Online

Cuidar da criação: casa comum

Cuidar da criação: casa comum

Foto: Reprodução

Dando continuidade ao Cuidado com a Casa Comum, que foi um legado do Papa Francisco, com duas Encíclicas: Laudato Si (Louvado seja) e Laudate Deum (Louvai a Deus), o Papa Leão XIV criou novo formulário de orações para a Missa “Pela proteção da Criação”, que será incorporado ao Missal Romano e que foi utilizado por ele na missa do dia 9 de julho.  Sendo na oração, Coleta, Deus será invocado para que “guardemos com amor” a sua obra e, após comunhão, rezar-se-á para que “enquanto esperamos novos céus e uma nova terra, aprendamos a viver em harmonia com todas as criaturas”. Também as leituras bíblicas apontam para a importância de cuidar da Criação, com o Evangelho que cita uma passagem de Mateus (6, 24-34), em que Jesus convida a olhar para as aves do céu, que “não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em celeiros”, mas são alimentadas pelo “Pai celestial”, e a observar os “lírios do campo”, que “não trabalham nem fiam”, mas estão vestidos de glória, mais do que os reis.

Na sua mensagem para o 10° Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que será celebrado a 1º de setembro, o Papa Leão afirma: “Não há tempo a perder: no que diz respeito ao cuidado da Casa Comum, é preciso ‘dar seguimento às palavras com obras concretas’ e, particularmente para os que creem em Deus, ‘cuidar da criação torna-se uma questão de fé e de humanidade’”.

Subordinada ao tema “Sementes de paz e esperança”, escolhido “pelo nosso amado Papa Francisco” por ocasião do décimo aniversário de publicação da Encíclica Laudato Si’, a mensagem assinala que “em Cristo, somos sementes, sementes de paz e esperança”. Sementes essas que são tão mais importantes quanto “em várias partes do mundo, é evidente que a nossa terra está a cair na ruína”.

Leão XIV refere-se, concretamente à “injustiça, a violação do direito internacional e dos direitos dos povos, a desigualdade e a ganância”, que estão na origem do “desflorestamento, a poluição, a perda de biodiversidade”. E sublinha que “fenômenos naturais extremos, causados pelas alterações climáticas provocadas pelo homem, estão a aumentar de intensidade e frequência, sem ter em conta os efeitos, a médio e longo prazo, de devastação humana e ecológica provocada pelos conflitos armados”. Infelizmente, pudemos perceber isso nas tragédias ambientais ocorridas no Rio Grande do Sul e no Texas, recentemente. O Papa assinala ainda que “a própria natureza torna-se, por vezes, um instrumento de troca, uma mercadoria a negociar para obter ganhos econômicos ou políticos”.

Por isso, “viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, defende Leão XIV citando a encíclica ‘Laudato si’”. E transmite a esperança de que “trabalhando com dedicação e ternura, muitas sementes de justiça podem germinar”.

O Papa partilha depois o exemplo de uma entre as iniciativas da Igreja que “são como sementes lançadas neste campo”: o projeto Borgo Laudato Si, “que o Papa Francisco nos deixou como herança em Castel Gandolfo, uma semente que pode dar frutos de justiça e paz. Trata-se de um projeto de educação para a ecologia integral que visa ser um exemplo de como se pode viver, trabalhar e fazer comunidade aplicando os princípios da Encíclica Laudato Si”.

E pede que essa mesma encíclica continue a inspirar todos, de modo a que “a ecologia integral seja cada vez mais escolhida e partilhada como caminho a seguir”. Porque “a justiça ambiental – implicitamente anunciada pelos profetas – já não pode ser considerada um conceito abstrato ou um objetivo distante. Ela representa uma necessidade urgente que ultrapassa a mera proteção do ambiente”. Trata-se – explica Leão XIV, “de uma questão de justiça social, econômica e antropológica”. E para os que acreditam em Deus, além disso, é mesmo “uma exigência teológica, que para os cristãos tem o rosto de Jesus Cristo, em quem tudo foi criado e redimido”.

Sobre o colunista

Padre Hideraldo Verissimo Vieira é pároco na Paróquia São João Batista – João XXIII, em Itabira, e licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com especialização em Ensino Religioso pela PUC Minas.

O conteúdo expresso é de total responsabilidade do colunista e não representa a opinião da DeFato.

Exit mobile version