Curso do Grupo Galpão fortalece grupos culturais e amplia caminhos para novos projetos em Itabira e região

Jornada cultural reuniu cerca de 50 participantes, desenvolveu duas propostas de projetos e levou 11 grupos e entidades à etapa de mentoria

Curso do Grupo Galpão fortalece grupos culturais e amplia caminhos para novos projetos em Itabira e região
Foto: Carol Veloso/@carolmets
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A experiência de pensar a cultura também a partir da organização, da administração e da busca por recursos foi o eixo da Jornada de Gestão Cultural e Elaboração de Projetos, realizada pelo Grupo Galpão em Itabira, com patrocínio da Vale. Ao longo de dois meses, artistas, produtores, gestores, coletivos e representantes de entidades culturais participaram de atividades que combinaram formação, troca de experiências, exercícios práticos e acompanhamento de organizações.

A programação foi construída em diferentes frentes. A primeira etapa, realizada de 6 a 9 de julho, apresentou fundamentos da produção e da gestão cultural para cerca de 50 participantes. Entre os assuntos trabalhados estiveram organização de equipes, empreendedorismo, políticas públicas de cultura, relacionamento com empresas, elaboração de propostas, fontes de financiamento, marketing e ferramentas administrativas aplicadas ao setor.

Romulo Avelar, um dos ministrantes da Jornada, conduziu essa etapa e encontrou uma turma formada por pessoas com experiências distintas. A maioria vivia em Itabira, mas também havia participantes de municípios da região do Médio Piracicaba e de cidades como Ipatinga e Belo Horizonte. Músicos, atores, profissionais ligados à literatura e à memória e gestores de empresas e organizações da sociedade civil estiveram entre os participantes.

“A turma foi bastante diversa e reuniu tanto profissionais experientes na realização de projetos culturais quanto pessoas interessadas em se aproximar desse universo“, diz Romulo Avelar.

A diversidade dos perfis também revelou a dimensão do movimento cultural existente em Itabira e região. A presença de dirigentes de organizações da sociedade civil, por exemplo, mostrou a existência de entidades estruturadas e interessadas em ampliar sua atuação e acessar oportunidades de financiamento em diferentes esferas.

Para Romulo, a estrutura existente entre as entidades locais também abre possibilidades para ampliar a busca por financiamento: “A existência desse conjunto de entidades já estruturadas abre espaço para a busca de recursos não apenas em nível municipal, mas também nas esferas nacional ou mesmo internacional”.

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Foto: Carol Veloso/@carolmets

Da produção à elaboração de propostas

Outra frente da programação foi conduzida por Flaviano Souza e Silva, ministrante da Jornada, que trabalhou especificamente a elaboração de projetos e os caminhos para apresentação de propostas à Lei Rouanet.

A atividade partiu da orientação sobre o cadastro no Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (SALIC) e avançou para uma experiência prática. Em um processo colaborativo, artistas

de Itabira desenvolveram duas propostas, uma voltada à realização de um festival para valorizar talentos locais e outra destinada à formação de artistas do município.

A proposta de Flaviano, entretanto, não era apenas fazer com que aquelas duas iniciativas fossem cadastradas. O trabalho buscou oferecer aos participantes condições para que eles próprios pudessem reproduzir o processo em outras oportunidades.

“Mais do que chegar ao cadastro dessas duas propostas, o meu objetivo na jornada foi deixar um conhecimento que permanecesse com os participantes: a capacidade de, a partir de agora, estruturarem e inscreverem seus próprios projetos no SALIC com mais segurança e autonomia”, explicou Flaviano Souza e Silva.

Para o ministrante, a passagem por Itabira também serviu para conhecer mais de perto a realidade de quem produz cultura no município. A experiência mostrou, de um lado, a existência de uma classe artística mobilizada e diversificada e, de outro, a necessidade de ampliar o acesso a informações sobre políticas públicas e mecanismos de financiamento.

“Saio dessa Jornada com a sensação de que Itabira possui uma classe artística mobilizada, criativa e cheia de possibilidades. Quando conhecimento, organização e oportunidade caminham juntos, a cultura ganha força para transformar o presente e construir um futuro ainda mais potente”, afirmou Flaviano Souza e Silva.

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Foto: Carol Veloso/@carolmets

Mentoria aproxima gestão da realidade das organizações

A Jornada Cultural do Grupo Galpão chegou a uma etapa de aprofundamento entre 31 de agosto e 3 de setembro, quando Romulo Avelar voltou a Itabira para conduzir a Mentoria Produção para Grupos Artísticos e Entidades Culturais.

Nesse momento, o trabalho deixou de olhar apenas para a elaboração de propostas e passou a discutir a própria estrutura das organizações. A metodologia utilizada foi o Business Model Canvas, aplicada para analisar nove aspectos: proposta de valor, segmentos de público, canais de vendas, relacionamento com o público, atividades-chave, recursos-chave, parceiros, custos e receitas.

A organização interna ganhou espaço específico nos encontros. Cada grupo trabalhou a distribuição de funções por meio da elaboração de um organograma. Também foi realizado um levantamento de possibilidades de financiamento, que identificou 56 fontes e estratégias voltadas à cultura no Brasil.

A procura pela atividade fez com que os 11 grupos e entidades inscritos fossem acolhidos, embora a previsão inicial fosse de dez vagas. Participaram Ameviver, Associação do Bairro Major Lage, Associação Vila Ipoema, Bloco do Cemitério, Cajaína Cultural, Circo Massa, Collab Studio, Corporação Musical Santa Cecília de Rio Piracicaba, Instituto Cultural Festim, Planeta Panela e Viravoltear. Os representantes do Collab Studio não compareceram aos encontros.

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Foto: Carol Veloso/@carolmets

Experiência compartilhada entre diferentes realidades

A presença de pessoas de diferentes municípios também ampliou a possibilidade de troca durante a Jornada. Yago Rios, participante da Jornada e integrante da Cajaína Cultural, participou das atividades buscando compreender processos de organização e sistematização que pudessem contribuir para o trabalho desenvolvido pelo coletivo.

Na avaliação dele, o contato com uma instituição que já possui experiência na participação em editais e na organização de seus processos, como o Grupo Galpão, pode abrir novas possibilidades para instituições que tradicionalmente constroem suas atividades a partir dos conhecimentos reunidos entre os próprios integrantes.

“Especificamente, a gente pegou a parte da Lei Rouanet. Nós, trazendo como exemplo a Cajaína Cultural, que é um coletivo artístico, tudo o que fazemos é juntando conhecimento: o que um sabe, um pouco do que o outro sabe. E reconhecer e assistir como funciona realmente essa sistematização dentro de uma organização maior, uma organização que já está solidificada, pode trazer para a gente possibilidades, abrir novos caminhos que talvez não estivéssemos habituados”, contou.

A mesma perspectiva de levar o aprendizado para além da própria participação aparece no relato de Franciele Priscila Alexandrino Gomes Riciere, participante da Jornada Cultural do Grupo Galpão, professora e regente da Corporação Musical Santa Cecília de Rio Piracicaba.

Moradora do Rio Piracicaba, ela participou da iniciativa pensando também nas demais corporações musicais da região do Médio Piracicaba. O interesse surgiu da percepção de que muitas instituições enfrentam dificuldades quando precisam buscar recursos e estruturar estratégias para financiar suas atividades.

A intenção, portanto, era retornar para a corporação levando informações que pudessem ser compartilhadas com as pessoas envolvidas na administração da banda. “Então, eu, como regente, vim com essa proposta de aprender para repassar para as pessoas que vão trabalhar comigo, para a gente começar a correr atrás e captar recursos” destacou Franciele Riciere.

O aprendizado também foi associado por Franciele à possibilidade de fortalecer a atuação conjunta das corporações da região. “Desenvolver, fazer com que a banda cresça e fazer com que os nossos colegas de corporações da nossa região Médio Piracicaba consigam se fortalecer e criar uma grande uma grande rede apoiadora”, ressaltou.

Ao avaliar a experiência, ela resumiu a percepção sobre o percurso realizado: “Foi um curso muito bom! Eu acredito que os demais que fizeram, todo mundo saiu bem grato pelo que aprendeu”.

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