Dados alarmantes
Ano de 2015 nem bem começou e já impressiona pela quantidade de homicídios em Itabira

Matéria publicada na edição 266 da revista DeFato.
A criminalidade vem alcançando índices cada vez mais alarmantes em todo o país. As notícias dos mais diversos crimes são presença garantida nos noticiários da imprensa e cada vez mais invadem a realidade de cidades do interior dos estados. Em Itabira não é diferente. Aliás, não mesmo. A população está receosa com o grande número de crimes ocorridos em 2014 e com o início preocupante de 2015. Além dos frequentes roubos a comércios e transeuntes, homicídios têm se tornado cada vez mais comuns em bairros de alta vulnerabilidade social.
Contabilizando os últimos dez anos, Itabira registrou o maior índice de crimes em 2014, e mesmo assim sem contabilizar o mês de dezembro, que ainda não teve os números divulgados pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). De janeiro a novembro, foram 476 crimes violentos na cidade. DeFato buscou nos números um panorama da violência em Itabira. E constatou que entre 2004 e 2012 houve uma verdadeira montanha-russa nos índices de criminalidade: um sobe e desce nas taxas registradas. O ano de 2009 teve o menor registro, com 181 crimes violentos cometidos, sendo sete assassinatos.
Por outro lado, a partir de 2013 a criminalidade explodiu em Itabira. Em relação a 2012, houve um aumento de 127% nos crimes violentos na cidade, passando de 173 para 393. O crescimento continuou no ano seguinte, 2014, com os 476 crimes. Em todos os meses de 2013 houve mais que o dobro de ocorrências na comparação com os mesmos períodos de 2012, exceto em março, quando foram menores, e em julho, quando chegaram próximo do dobro.
Os crimes contra o patrimônio dispararam. Se em 2012 foram 106 roubos, no ano seguinte a marca mais que duplicou, chegando a 292, o que representa um aumento de 175%. Já em 2014, o número aumentou ainda mais, alcançando 380 crimes. No período de 2012 a 2014 (sem contar dezembro do último ano) houve um aumento de 258,5% nos registros de roubos.
A violência também foi refletida no número de homicídios no mesmo período. Enquanto em 2012 foram 16 assassinatos, em 2013 o número praticamente dobrou: 26. Em 2014 foram 29. E 2015 não traz boas expectativas. Apenas em janeiro foram registrados sete homicídios, o equivalente ao ano de 2009 inteiro, segundo dados da Seds.
Minas Gerais
Os índices de criminalidade não são diferentes em todo o estado. O gráfico de dados é crescente, com o fim, em dezembro, maior do que o início, janeiro. Se em dezembro de 2012 foram registrados 6.775 crimes violentos em Minas Gerais, no mesmo mês do ano seguinte aconteceram 8.299. O gráfico de homicídios também é parecido, apesar de ter uma queda em junho, julho e agosto. A partir desses meses a taxa subiu novamente e ultrapassou os dados do início do ano. Ao final, em 2012 foram 398 assassinatos registrados. Já em 2013 o número subiu para 428. Os dados de 2014 ainda não estão fechados.
Polícia
Os problemas com efetivo das polícias sempre é lembrado como um dos principais problemas na segurança pública. De fato, em todo o estado há um déficit de militares em batalhões. Itabira não está isenta deste problema.
O 26º Batalhão de Polícia Militar de Itabira é responsável pelo policiamento de onze cidades na região. Em entrevistas passadas, o comandante do BPM, tenente-coronel Jair Pontes Neto, disse acreditar que o problema da segurança pública não envolve apenas o trabalho da polícia. “O número de militares hoje é o de menos importância. Claro que ficaria feliz em ganhar mais 100 homens, o que possibilitaria outros tipos de policiamento, mas se eu tiver qualidade, eu consigo ser muito efetivo”, aposta o comandante.
Para o tenente-coronel, a educação, a saúde e o lazer também são questões que fazem parte da segurança pública. “Posso colocar vinte policiais em um lugar, mas ao darem as costas, o fato vai acontecer. Aí falarão que precisa de mais polícia”, disse. O comandante defende melhorias na educação, com escolas de tempo integral e profissionalizantes; incentivo ao lazer, para garantir ocupação e diversão em momentos vagos; e um cuidado especial com a saúde, para cuidar de viciados em drogas.
Além disso, Pontes critica as leis e o sistema prisional brasileiro. O comandante não se conforma com bandidos serem soltos com frequência. “A gente está cansado de prender os mesmos bandidos toda vez. Passam algumas semanas e os encontramos nas ruas novamente”, reclamou. Já sobre os presídios brasileiros, Jair acredita que se trata de um sistema, em sua forma atual, que não ressocializa os presos.
No âmbito municipal, o comandante diz não ter nada a reclamar. “Os municípios têm nos ajudado da maneira que podem, seja nos fortalecendo com viaturas ou na parte de logística”, afirma.
O novo comandante geral da PM, Coronel Marco Antônio Badaró Bianchini, assumiu o cargo no início deste ano garantindo uma polícia mais humanizada, próxima da população. “Entendo que a PM passou quase 239 anos focada apenas no criminoso. Temos que mudar essa concepção focando muito mais no cidadão de bem”, disse. Talvez seja o início de um ciclo de mudanças. É o que a população espera.