De igual para igual? Lei da Reciprocidade Brasileira contra os EUA tem o mesmo peso?

Atualmente os Estados Unidos exportam mais ao Brasil do que importam, representando um superávit para os americanos no comércio entre ambos.

De igual para igual? Lei da Reciprocidade Brasileira contra os EUA tem o mesmo peso?
Foto: Sede do governo americano-Divulgação/Unsplash

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu, nesta quarta-feira (9), aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica como resposta à carta do presidente norte-americano Donald Trump endereçada a ele anunciando a taxação de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, vigorando já a partir do primeiro dia de agosto.

A lei a que Lula se refere foi sancionada por ele, em abril deste ano, e prevê medidas de retaliações comerciais externas a países que impuserem normas ou taxações ao Brasil. A medida foi aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional à época.

O anúncio de Trump foi entendido como de viés político por especialistas do Brasil e do mundo, conforme afirmou o presidente do Banco Central Alexandre Schwartsman e o vencedor do prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, que classificou a taxa de “maligna e megalomaníaca”.

Empresários industriais e agropecuaristas brasileiros manifestaram preocupação com o anúncio e receiam que as taxas ameaçam empregos nesses segmentos.

O Brasil é signatário das normas da Organização Mundial do Comércio (OMC), que impedem tarifas discriminatórias contra países específicos, mas, com a nova legislação, passa a ter instrumentos legais para dar respostas a ações injustas, como o tarifaço de Trump.

A Lei de Reciprocidade Econômica permite que o Brasil aplique retaliações contra países ou blocos econômicos que adotem barreiras comerciais, legais ou políticas contra o Brasil, as respostas podem ser:

Sobretaxas na importação de bens e serviços;

Suspensão de acordos ou obrigações comerciais e, em casos excepcionais, suspensão do direito de propriedade intelectual, como o pagamento de royalties ou reconhecimento de patentes.

O texto autoriza o Executivo a suspender, de forma justificada, o princípio da nação mais favorecida da OMC, que obriga tratamento igualitário entre os parceiros comerciais da mesma forma, exceto como acordos bilaterais ou regionais, a exemplo do Mercosul.

Isso permite que o Brasil possa aplicar tarifas específicas contra países que adotem sanções ou práticas comerciais lesivas, mesmo contrariando a regra geral da OMC.

Atualmente os Estados Unidos exportam mais ao Brasil do que importam, representando um superávit para os americanos no comércio entre ambos.

*Fonte: G1