Debate na Globo: apresentação de propostas e ataques pessoais
As regras do debate mantiveram o distanciamento entre os candidatos
Bloco de ataques e ofensas
O segundo e último debate presidencial na TV Globo teve três blocos de apresentação de propostas pelos candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), mas o quarto bloco, com temas livres, virou um cenário de ataques e ofensas entre os adversários, principalmente com acusações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o envolvimento de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Também entrou na pauta a polêmica entre o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio.
Nos três blocos anteriores, Lula e Flávio apresentaram propostas de governo, com temas sorteados, mas também se atacaram com menor intensidade.
Propostas divergentes na segurança pública
No terceiro bloco, por exemplo, com o tema “segurança púbica”, os dois candidatos expuseram propostas opostas. Flávio afirmou que, caso eleito, devolverá à população os territórios ocupados pela criminalidade. O presidente levou ao debate a mãe da menina Ana Clara, de 5 anos, morta com um tiro de fuzil durante uma ação policial no Rio em 2021. Cristiane Gomes da Silva alega o que o senador e advogado, manobrou para a que a Justiça adiasse o julgamento. Ao ser questionado por que um senador da República defende um “policial assassino”, Flávio afirmou que “não há provas de que o agente citado tenha cometido o crime”. O policial militar Bruno Dias Delaroli foi acusado pelo Ministério Público de ter atirado.
A proibição das bets
O veto às bets foi assunto do terceiro bloco. Dirigindo-se às mulheres, Lula defendeu a proibição ao jogo online no Brasil e Flávio afirmou que a decisão foi tomada de última hora, por causa das eleições, prejudicando os times de futebol que são patrocinados majoritariamente pelas empresas de apostas.
A alta do preço dos alimentos
No terceiro bloco, Flávio ainda criticou a alta do preço dos alimentos. “Meu concorrente prometeu picanha e entregou abóbora”. E completou. “O meu adversário chegou ao ponto de falar a seguinte frase: ‘Se a comida está cara, não compra’.
Lula admitiu que o endividamento dos brasileiros é “uma coisa muito séria”. E acrescentou. “Nós, desde o primeiro mês de mandato, criamos o primeiro ‘Desenrola’ para resolver o problema da dívida, criamos o segundo e agora estamos criando o terceiro”.
Pedido de desculpas por Flávio
Ainda, no terceiro bloco, a tensão aumentou quando Flávio tratou Lula por “nine”, numa referência ao dedo que o presidente perdeu em um acidente de trabalho. Lula exigiu pedido de desculpas. “Não vou aceitar ser tratado assim e por um miliciano”, disse. Flávio pediu desculpas a Lula se falou “algo que lhe tenha ofendido” e aproveitou para exigir do petista pedidos de desculpas, por exemplo, às famílias brasileiras que não conseguem chegar ao final do mês com comida no prato, às mulheres que não se sentem seguras”.
Defesa do SUS
Ao escolher entre dez temas a serem abordados em perguntas obrigatórias, ambos os candidatos defenderam as atuais políticas sociais, em especial o SUS. Flávio usou o atentado sofrido por seu pai para defender o Sistema de Saúde nacional.
Google e começo de ataques
Ao ser perguntado sobre o motivo de a bancada do PT ter sido contra o marco regulatório do saneamento básico, que, segundo o senador, significa saúde, Flávio foi mais uma vez atacado por Lula. O presidente afirmou que ele não conhece nada do Norte, a região sorteada da vez. E sugeriu que ele fosse ao Google pesquisar tudo o que seu governo fez pela região amazônica.
Flávio rebateu, dizendo que Lula não sabe responder nada e, por isso, pede para as pessoas irem à internet pesquisar as respostas. Em seguida, afirmou que em função de questões “ambientais” não é possível avançar em projetos de infraestrutura e saneamento em áreas como Belém, no Pará. Depois, afirmou que, se eleito, vai dar “autonomia para que as populações indígenas resolvam o que querem fazer com suas terras”.
Distanciamento entre os debatedores
Diferentemente do primeiro encontro entre Flávio e Lula ocorrido no domingo passado, na Rede Bandeirantes, o debate de ontem(21/10) não foi marcado apenas por provocações em função das regras. Ambos tiveram de priorizar a apresentação de suas propostas para temas sorteados ou escolhidos pelos candidatos em cada bloco.
A mudança de postura não foi resultado só de novas estratégias dos candidatos, mas de regras mais rígidas até mesmo sobre a posição de ambos pelo cenário impostas pela emissora — eles só puderam se movimentar livremente no último bloco e mesmo assim apenas de um dos lados. A medida teve por objetivo evitar que Flávio repetisse a manobra de se posicionar o tempo todo atrás do presidente para debochar de suas falas