Depoimento revela mais três mortes na ficha do maníaco
Confissão. Com uniforme usado por detentos, Marcos Trigueiro foi levado ontem à sede do DI, onde prestava depoimento até a noite
No dia em que o pintor Marcos Antunes Trigueiro, 31, assumiu, em depoimento, que realmente matou as cinco mulheres, na região metropolitana de Belo Horizonte, entre janeiro e novembro do ano passado, depois de submetê-las a violência sexual, a polícia revelou informações sobre o envolvimento do maníaco em um passado de pelo menos mais três assassinatos.
Em 2005, segundo a polícia, o maníaco teria matado uma enteada, um bebê de apenas 3 meses. As informações sobre o crime, ocorrido em Ibirité, na região metropolitana, agora fazem parte do inquérito sobre o histórico criminal do maníaco.
Segundo o delegado chefe do Departamento de Investigações (DI), Edson Moreira, a criança morta em fevereiro de 2005 era filha de uma ex- mulher de Trigueiro, que também será chamada a prestar depoimento. O atestado de óbito registrado à época aponta que a criança sofreu traumatismos craniano e abdominal. Apesar de a polícia informar que Trigueiro não é o pai biológico da criança, no atesto de óbito do bebê ele aparece como tal.
O maníaco ainda é acusado de assassinar um tio, em 2003, e também é investigado pelo envolvimento na morte de um taxista, em 2004, durante um assalto, em Betim.
O depoimento formal do maníaco sobre os três assassinatos e também sobre a morte das mulheres foi dado ontem. Trigueiro passou a tarde e parte da noite dando informações aos policiais que integram a força-tarefa que investiga os cometidos por ele. Mais uma vez, segundo os policiais, o maníaco demonstrou frieza ao falar sobre os crimes.
Em relação à morte do tio, o que fontes da polícia informaram é que o crime teria sido motivado por uma indenização recebida pela vítima.
Já o taxista Odilon Eustáquio Ribeiro, 59, de acordo com a polícia, foi vítima da ação do maníaco durante um assalto. Na ocasião. Trigueiro teria agido com a ajuda de três comparsas – um menor e duas mulheres.
O maníaco está detido desde anteontem. Ele foi preso em casa, no bairro Industrial, em Contagem. A polícia chegou até o endereço dele após rastrear os telefones celulares das vítimas, encontrados na casa do suspeito.
No depoimento prestado ontem, o maníaco disse que queimou dois dos aparelhos depois que leu reportagens sobre o rastreamento do sinal dos telefones. "Ele disse que fez isso depois que viu o noticiário", contou o delegado.
A principal prova que pesa sobre Trigueiro é o exame de DNA feito a partir da saliva do acusado. O teste confirmou que o sêmen encontrado no corpo de três das cinco mulheres é mesmo do maníaco.
Uma "Bíblia" e um recado. Foi o que Marcos Antunes Trigueiro pediu a seu advogado, ontem pela manhã, após confessar informalmente a autoria dos crimes contra as cinco mulheres, no bairro Industrial.
Chorando e de cabeça baixa, o maníaco conversou com seu advogado, Rodrigo Bizzotto, antes de ser oficialmente ouvido pelos delegados que cuidam da investigação.
Na saída do Ceresp, onde o maníaco passou a primeira noite como preso, o advogado contou que ele demonstrou preocupação com a situação da mulher, Rose Paula Câmara, que até ontem à noite permanecia detida. Ela também está sob investigação. "Ele (Marcos) não está entendendo nada. Pediu para eu dizer à mulher que a ama muito". Bizzotto também cuidará da defesa da mulher do maníaco.
Segundo o advogado, na primeira noite na cadeia, Trigueiro ficou isolado e se alimentou bem.
O maníaco deve ficar preso em caráter temporário pelo período de 30 dias, prorrogáveis por mais 30. Em seguida, é provável que seja decretada sua prisão preventiva, segundo informações da Polícia Civil.
Apesar da confissão, os investigadores já tinham todas as provas que corroboravam a autoria dos crimes. "Para mim, essa confissão é irrelevante", disse o delegado Frederico Abelha. (Rafael Rocha)
Advogado quer soltura
Para o advogado Rodrigo Bizzotto, que defende Marcos Trigueiro, a estadia do maníaco na prisão será breve. "O alvará de soltura deve sair até segunda-feira". Até ontem à noite, informou, o pedido de soltura não havia sido entregue à Justiça.
Os delegados que investigam a ação do maníaco, continuam apurando se a mulher dele tinha ou não conhecimento dos crimes cometidos. "Ela (a manicure Rose Paula Câmara) alega que não sabia, mas estamos levantando informações para tentar descobrir até onde ela sabia e porque queimou os celulares", informou o delegado Frederico Abelha. (RR)
Vítimas
– Adina Feitor Porto, 34;
– Ana C. Assunção, 27;
– Maria Helena Aguilar, 48;
– Natália C. Paiva, 27;
– Edna C. O. Freitas, 35