Deputados protestam contra corte do pagamento de extra
A decisão da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de suspender a remuneração das sessões extraordinárias gerou revolta entre os deputados estaduais. Grande parte dos parlamentares acusa o presidente da Casa, deputado Dinis Pinheiro (PSDB), de ter tomado uma iniciativa unilateral, alijando os colegas da decisão. "Ele tomou uma decisão para agradar a imprensa. Foi uma […]
A decisão da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de suspender a remuneração das sessões extraordinárias gerou revolta entre os deputados estaduais. Grande parte dos parlamentares acusa o presidente da Casa, deputado Dinis Pinheiro (PSDB), de ter tomado uma iniciativa unilateral, alijando os colegas da decisão.
"Ele tomou uma decisão para agradar a imprensa. Foi uma decisão de gabinete. Ele devia ter ouvido os deputados", desabafou o parlamentar Antônio Júlio (PMDB), que também lidera a minoria na Casa. Até então, os deputados recebiam R$ 1.002 por extraordinária até o limite de oito reuniões por mês.
Um grupo de deputados tentou apaziguar os ânimos alegando que Dinis teria consultado os líderes antes de anunciar a suspensão do pagamento das extraordinárias, mas, nos bastidores, a maioria das lideranças afirmou que não participou da decisão.
Além de Júlio, o líder do bloco de oposição, Rogério Correia (PT) recebeu um telefonema do presidente apenas informando-o da decisão. O mesmo aconteceu com o líder do bloco governista "Transparência e Resultado", Bonifácio Mourão (PSDB). "A decisão da Mesa foi acertada. O Dinis me ligou para conversar e me avisou da suspensão (do benefício)". E emendou: "Ele não me consultou, por que sabe que eu o apoio em qualquer decisão".
A tribuna foi usada pelos parlamentares, durante o pinga-fogo da tarde de ontem, para se pronunciarem sobre a decisão da Mesa. Um dos discursos mais enfáticos foi do pedetista Sargento Rodrigues, que criticou a imprensa e o fato de Dinis não ter consultado os colegas para se decidir. "Acho que a imprensa deveria investir a mesma energia em expor os benefícios de membros de outros Poderes". Rodrigues também é o autor do requerimento que solicita uma audiência pública para discutir o que ele chamou de "penduricalhos" do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado.
O deputado Jayro Lessa (DEM), terceiro secretário da Mesa Diretora, saiu em defesa do presidente, alegando que a decisão foi acertada. Questionado sobre o critério que levou Dinis a tomar a decisão de suspender o benefício, o governista não soube responder. Ele também informou que Dinis teria lhe dito há três dias que tomaria tal decisão.
A reportagem solicitou uma resposta do presidente da Casa sobre as acusações dos parlamentares, mas não teve retorno até o fechamento da edição.