Deputados reduzem salários de comissionados para bancar cabos eleitorais
A campanha pela reeleição provocou um fenômeno na Câmara: deputados têm utilizado o artifício de reduzir o salário de funcionários comissionados para contratar mais assessores e ampliar a equipe que trabalha nos estados, de olho na corrida eleitoral deste ano. Boletins administrativos deste mês mostram que pelo menos 44 secretários, lotados em 29 gabinetes, tiveram […]
Cada deputado tem direito de usar verba de R$ 60 mil para contratar até 25 secretários parlamentares. O deputado define quem trabalha no gabinete em Brasília e quem vai para o estado. Caso pague o salário máximo de R$ 8.040, com comissão, a todos os seus funcionários comissionados, só poderá empregar sete pessoas. Para contratar 25 secretários, o parlamentar paga R$ 2.400 em média para os funcionários. Só este ano, 1.073 secretários parlamentares foram contratados, aumento de 90% em relação ao ano passado, quando a média ficou em torno de 570. A movimentação de comissionados nos gabinetes é grande, e a assessoria da Câmara informa que não tem como ter controle exato do número de comissionados, pois o quadro de nomeações e exonerações muda diariamente.
Só em maio, o gabinete do deputado Veloso (PMDB-BA) reduziu salário de três pessoas. Um dos servidores teve o vencimento diminuído de R$ 3.005 para R$ 721, de acordo com o boletim administrativo de 5 de maio. Procurado, o parlamentar disse que “não está sabendo de nada” e indicou o chefe de gabinete Adriano Oliveira para explicar a redução de salário.
O responsável pelo gabinete afirmou que outras pessoas do gabinete também tiveram o salário enxugado para que uma “coordenadora-geral da campanha” de Veloso à reeleição fosse contratada. “Houve essa mudança, porque foi nomeado alguém para o gabinete. O deputado teve que fazer aquisição de uma funcionária que ganha R$ 6 mil. Ela é a coordenadora-geral da campanha dele, está no estado percorrendo todos os municípios. Para a contratação foi necessário que houvesse a redução do salário de alguns. Foi um acordo, todo mundo aceitou abrir mão de uma parte. A bem de todos, porque, ele se reelegendo, todos mantêm o emprego”, resumiu.
Mineiros
Na bancada de Minas Gerais, três parlamentares estão na lista dos “patrões” que diminuem salários. Os deputados Miguel Corrêa (PT-MG), Marco Lima (PMDB-MG) e Virgílio Guimarães (PT-MG) reajustaram vencimentos de secretários parlamentares. De acordo com a assessoria de Virgílio, a redução de salário de uma funcionária foi feita a pedido da servidora, que teria solicitado jornada menor de trabalho.
No gabinete do deputado Antônio José Medeiros (PT-PI), pelo menos duas funcionárias lotadas em Brasília tiveram o salário reduzido em 70%. Segundo boletim da Casa, em 3 de maio as comissionadas tiveram alteração de salário e corte na gratificação. Com o bônus, antes da diminuição elas tinham salário de R$ 6.010. O vencimento das servidoras caiu para R$ 1.803.
Geraldo Resende (PMDB-MS) também está enxugando a folha de pagamento de seu gabinete para contratar mais gente. Pelo menos quatro pessoas tiveram o salário reduzido nos últimos dois meses. O parlamentar explica que o “remanejamento” é comum para atender as necessidades do gabinete. “A gente remanejou, porque teve contratação recente. Tive que fazer remanejamento para encaixar novas pessoas na equipe”, alegou o deputado.