Detonações podem ter acontecido antes do rompimento da barragem de Brumadinho

O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho completa cinco meses nesta terça-feira (25). A tragédia matou 246 pessoas e outras 24 ainda são consideradas desaparecidas. A principal polêmica discutida pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais é em relação ao horário de uma explosão provocada no dia 25 de […]

Detonações podem ter acontecido antes do rompimento da barragem de Brumadinho
Foto: Andre Penner

O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho completa cinco meses nesta terça-feira (25). A tragédia matou 246 pessoas e outras 24 ainda são consideradas desaparecidas. A principal polêmica discutida pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais é em relação ao horário de uma explosão provocada no dia 25 de janeiro de 2019, próximo ao horário do rompimento da barragem, que ocorreu às 12h28.

Testemunhas ouvidas nesta segunda-feira (24) pela CPI da Barragem de Brumadinho relataram horários divergentes para uma detonação na Mina Córrego do Feijão. Segundo o mecânico de mineração da empresa Sotreq, Eiichi Osawa, a detonação teria ocorrido aproximadamente a um quilômetro da barragem B1, no horário entre 12h20 e 12h40.

Ele não soube precisar se a explosão ocorreu antes, simultaneamente ou depois do rompimento, mas disse que estava de frente para o local da detonação e a viu pessoalmente. Já de acordo com o “blaster” (aplicador de explosivos) da Vale, Edmar de Rezende, a detonação só ocorreu exatamente às 13h33, uma hora após o rompimento.

Como funcionário responsável pela aplicação dos explosivos, Rezende disse ter ele próprio decidido executar a detonação, uma vez que não era mais viável retirar os explosivos instalados e seria perigoso deixá-los lá. Além disso, seu chefe imediato havia morrido durante o rompimento da barragem.

Edmar de Rezende afirmou ainda que o horário da detonação está registrado em um vídeo de seu celular (que foi exibido durante a reunião) e também em um relatório de campo que ele produziu no mesmo dia. O depoente também disse estimar em quatro quilômetros a distância entre o local da explosão e a barragem B1, que se rompeu. Verificação feita posteriormente pela assessoria da CPI indicou uma distância de 1,4 quilômetro, em linha reta.

Um terceiro convocado para depoimento nesta segunda era Denis Valentim, funcionário da empresa Tüv Süd, contratada pela Vale para avaliar e atestar a estabilidade de barragens. Valentim seria ouvido pela CPI como investigado, mas não compareceu com base em uma decisão liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que lhe concedeu um habeas corpus.

Apesar das divergências em seus depoimentos, as duas testemunhas concordaram em um ponto: nenhum deles soube de qualquer recomendação ou advertência de relatório da empresa Tüv Süd de que não deveria ocorrer detonação ou movimentação de máquinas pesadas na área próxima à barragem B1, que se rompeu.

“Só ouvi isso depois, no jornal”, afirmou Eiichi Osawa. Ambos também relataram que as detonações na Mina de Jangada eram “quase diárias”, enquanto que em Córrego do Feijão ocorriam uma vez por semana, aproximadamente.