Dia do Produtor Rural destaca força do campo em Minas Gerais

Estado é líder nacional em café, leite e queijo artesanal; histórias de famílias mostram como inovação tem mudado a rotina no campo

Dia do Produtor Rural destaca força do campo em Minas Gerais
Cecília Mota. Foto: Reprodução/Sebrae

Neste 28 de julho, é celebrado o Dia do Produtor Rural. A data reforça a importância do trabalho no campo para a produção de alimentos, geração de renda e fortalecimento da economia brasileira. Em Minas Gerais, esse papel ganha contornos significativos: o estado concentra mais de 600 mil estabelecimentos agropecuários e cerca de 1,8 milhão de pessoas diretamente ligadas às atividades rurais, conforme o último Censo Agropecuário do IBGE.

Minas é referência nacional na produção de café, leite e queijo artesanal, além de cultivar frutas, hortaliças, grãos e produzir cachaça, vinhos, azeites e méis. Com raízes fincadas em saberes tradicionais e olhares voltados para a inovação, muitas famílias têm transformado suas propriedades, incorporando técnicas sustentáveis e processos de gestão mais eficientes.

É o caso da veterinária Cecília Mota, de Lagoa Grande, no Noroeste mineiro. Aos 35 anos, ela administra duas fazendas leiteiras, dando continuidade a uma história iniciada pelos avós. “Meu avô comprou umas vaquinhas, e, com o leite, passou a produzir queijo. Toda semana, minha avó pegava uma jardineira (nome dado aos ônibus antigos que possuíam bagageiros traseiros) e percorria 110 km de estrada de terra para vendê-los em Patos de Minas e fazer dinheiro”, relembrou. Décadas depois, a neta assumiu os negócios da família e, com o apoio técnico de consultores especializados, ampliou a produção de leite de 50 para 12 mil litros por dia.

Histórias como a de Cecília mostram como a aplicação de conhecimento e o acompanhamento técnico têm feito a diferença. Programas voltados à melhoria da gestão e da produção agrícola têm sido adotados por centenas de produtores em Minas. Uma das iniciativas é o Educampo, que oferece análises e orientações específicas para propriedades de café e leite.

Além dos avanços em produtividade, o fortalecimento da identidade territorial tem sido uma estratégia para agregar valor aos produtos. Projetos que reconhecem as origens de produção e os modos de fazer locais têm ganhado espaço em regiões como Canastra, Serro, Cerrado Mineiro e Mantiqueira de Minas. Nessas localidades, produtos como queijos e cafés recebem certificações de origem e passam a ocupar nichos valorizados no mercado.

Na região do Serro, a produtora Christiane Brandão assumiu a Fazenda Maria Nunes, onde representa a quinta geração de queijeiros da família. Depois de uma temporada em Belo Horizonte, decidiu voltar às origens e reestruturar a propriedade. Investiu na qualidade do queijo e passou a participar de grupos de capacitação e cooperação com outros produtores. Os resultados vieram: sua produção já conquistou prêmios internacionais, como medalhas no Mundial de Queijos, na França.

Minas também tem se destacado na articulação entre agricultura e turismo. A Rota do Queijo da Região do Serro é uma das experiências recentes que reúnem tradição, gastronomia e economia local em um único projeto. A iniciativa integra propriedades rurais à rede turística da região, gerando novas fontes de renda e promovendo o produto mineiro.

Com o crescimento da demanda por alimentos rastreáveis e sustentáveis, produtores têm se adaptado a um novo perfil de consumo. Projetos de acompanhamento técnico, incentivo à certificação, apoio à agroindústria familiar e estruturação de territórios produtivos seguem como caminhos para que o campo mineiro continue sendo referência em qualidade e inovação.

*Com Agência Sebrae.