Dia dos Povos Indígenas: entidades cobram celeridade na demarcação de terras ancestrais

A mobilização também denunciou o avanço da violência e da exploração ilegal de recursos naturais dentro das terras indígenas

Dia dos Povos Indígenas: entidades cobram celeridade na demarcação de terras ancestrais
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Neste domingo (19), data em que se celebra o Dia dos Povos Indígenas, diversas organizações e entidades de direitos humanos manifestaram-se para cobrar celeridade na demarcação e proteção de territórios ancestrais. 

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) liderou o movimento, classificando a regularização das terras como uma reparação histórica fundamental para a sobrevivência física e cultural das populações originárias. 

Em seus canais oficiais, a organização destacou que a ausência de demarcação inviabiliza o futuro das comunidades, uma vez que o território é o espaço sagrado de cultivo, espiritualidade e preservação da ancestralidade.

A mobilização também denunciou o avanço da violência e da exploração ilegal de recursos naturais dentro das terras indígenas. Segundo a Apib, práticas como o garimpo ilegal, a extração de madeira e as invasões territoriais não podem ser dissociadas da violação de corpos, citando ainda o assédio e o feminicídio como problemas críticos. 

A entidade, que recentemente organizou o Acampamento Terra Livre em Brasília com representantes de centenas de povos, reforçou que a soberania e a democracia do país dependem diretamente da garantia dos direitos territoriais indígenas.

Complementando o alerta, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) vinculou a destruição das áreas protegidas ao desequilíbrio climático da Amazônia, manifestado em secas extremas e queimadas. 

Para a organização, a exploração contínua por meio da grilagem e de grandes empreendimentos constitui um projeto de destruição que afeta não apenas os povos locais, mas a estabilidade ambiental de toda a região. 

A Anistia Internacional também endossou o pedido de urgência, lembrando que os povos indígenas protegem cerca de 80% da biodiversidade global, conforme dados da ONU, e que o respeito aos seus modos de vida é a chave para enfrentar a crise climática atual.

Por outro lado, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) destacou o avanço da representatividade dentro do órgão federal, ressaltando que a atual gestão indígena tem priorizado o fortalecimento da autonomia e a proteção das terras. 

A fundação defendeu a valorização dessas populações em diversos espaços da sociedade e reiterou que o reconhecimento institucional é um passo decisivo para garantir que os direitos fundamentais e a gestão autônoma dos territórios sejam plenamente exercidos pelos povos originários.

* Com Agência Brasil.