Diarista citou galinha ao falar dos golpes contra casal e alegou ouvir voz
Paola foi indiciada por latrocínio, teve pedido de exame de sanidade encaminhado à Justiça e também é suspeita de dopar outros clientes

Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, alegou à Polícia Civil que ouviu uma voz antes de matar Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, em Belo Horizonte. A versão foi relatada durante a reconstituição do crime, mas a corporação informou, nesta terça-feira (14), que não encontrou elementos para sustentar a hipótese de surto psicológico. A diarista foi indiciada por latrocínio, que é roubo seguido de morte, após a conclusão do inquérito nessa segunda-feira (13).
O casal foi morto dentro do apartamento onde morava, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul da capital. Paola havia sido chamada para trabalhar como diarista no imóvel pela primeira vez. Segundo o delegado Gustavo Barletta, a investigada afirmou que não se lembrava da dinâmica dos ataques porque teria sofrido um surto no momento do crime. Ela também teria dito que a suposta voz exigia que matasse as vítimas antes de permitir que levasse os bens do apartamento.
A Polícia Civil, no entanto, considera a versão fantasiosa e a conclusão ganhou força depois que outras pessoas procuraram o Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri) e relataram situações semelhantes envolvendo a diarista. Paola também é suspeita de dopar e roubar ao menos outros quatro clientes. Os relatos apontam que ela teria usado medicamentos sedativos durante serviços de faxina para reduzir a capacidade de reação das vítimas e subtrair objetos de valor.
Para a Polícia Civil, esse histórico reforça a suspeita de que o crime contra Cláudio e Maria Clotilde teve motivação patrimonial desde o início. Conforme a investigação, a diarista teria ido ao apartamento com a intenção de roubar, e a situação teria escalado durante a execução do crime.
Durante a reconstituição, outro ponto citado pela polícia chamou a atenção dos investigadores. Segundo o delegado João Prata, ao ser questionada por uma perita sobre a forma como teria desferido os golpes, Paola respondeu perguntando se ela já havia matado uma galinha.
O delegado João Prata, chefe da Divisão Operacional do Depatri, afirmou que Paola apresentou versões diferentes durante a prisão, os depoimentos e a reconstituição. Segundo ele, a investigada narrava partes do ocorrido, mas mudava o comportamento quando era questionada sobre a sequência dos fatos e sobre quem teria sido a primeira vítima.
A defesa de Paola pediu à Justiça que ela seja submetida a exame de sanidade mental. O pedido foi encaminhado pela Polícia Civil ao Poder Judiciário e, até a coletiva desta terça-feira, ainda não havia decisão sobre a realização da perícia.
Além de Paola, quatro homens foram indiciados por receptação qualificada por terem comprado objetos levados do apartamento das vítimas. Segundo a Polícia Civil, eles procuraram a delegacia acompanhados de advogados, afirmaram que não sabiam da origem ilícita dos bens e devolveram os materiais adquiridos.