Dino do passado: críticas ao STF, às urnas e defesa de mandato para ministros

Dentre suas falas, a de que os ministros do STF não deveriam ter mandatos vitalícios, mas, sim, tempos delimitados que permitissem uma transição de poderes

Dino do passado: críticas ao STF, às urnas e defesa de mandato para ministros
Foto: Thomaz Silva/Agência Brasil

Em 2009, Flávio Dino estava na Câmara dos Deputados, em seu primeiro e único mandato na Casa, quando se referiu ao Supremo Tribunal Federal (STF), instituição que ele se prepara para ser nomeado e assumir a condição de ministro, como “órgão político”. Atual ministro da Justiça e Segurança Pública, ex-juiz federal, Dino foi indicado ao Supremo pelo presidente Lula, mas, em seu passado, Dino defendia teses que hoje são abraçadas pela direita aliada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e rechaçadas pela esquerda e pela magistratura.

Dentre suas falas, a de que os ministros do STF não deveriam ter mandatos vitalícios, mas, sim, tempos delimitados que permitissem uma transição de poderes, como são nos cargos eletivos do Executivo e Legislativo. Além de ser um legislador negativo, julgando se a Lei que é criada pelo parlamento é constitucional ou não, o STF também tem feito normas, através de Súmulas Vinculantes. Me parece lógico que a vitaliciedade é negativa. Tem que haver a alternância para quem exerce uma tarefa política”, Disse Dino em entrevista à revista Consultor Jurídico, em janeiro de 2009.

Nesse mesmo ano, Dino anunciou que encaminharia à Mesa Diretora da Câmara uma proposta de emenda à Constituição para fixar em 11 anos o mandato de um ministro do Supremo. Essa mesma tese vem sendo discutida atualmente no Congresso como uma forma de limitar decisões monocráticas de membros da Corte.

A proposta ainda prevê mudanças no modelo de nomeação, com três indicados pelo Congresso, três pela Câmara e cinco alternadamente. No modelo atual, o presidente é responsável por todas as indicações, seguindo o critério de que o escolhido seja brasileiro nato, tenha mais de 35 anos e notório saber jurídico.

Dino também disse: “Crescentemente o STF tem se tornado um órgão político- isso não é nenhuma crítica, é bom para a sociedade essa participação. Mas, sendo assim, tem que existir uma alternância de poder”.

Outro tribunal que deve ocupar, caso Dino seja aprovado no Senado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que também já esteve na mira dele, quando, durante sua passagem pela Câmara, de 2007 a 2011, o então parlamentar foi relator de um projeto de reforma eleitoral e incluiu, no texto, a previsão de impressão de 2% dos votos do país, medida sempre apoiada pelo ex-presidente Bolsonaro e temida pela Corte Eleitoral.

Dino candidatou-se pela primeira vez a governador do Maranhão e saiu derrotado em 2010 e, no ano seguinte desabafou: “Há um ano como relator da reforma eleitoral, parecia premonição, eu dizia, acolhendo uma proposição do PDT, de que havia necessidade de aprimorar o sistema de urnas eletrônicas no Brasil. Quer dizer, um ano atrás eu já pensava assim, e hoje tive a oportunidade, não gostaria de ter tido, de ser vítima desse processo que precisa ser aprimorado, precisa ser melhor auditado, precisa ser melhor acompanhado, que é o sistema das urnas eletrônicas”.

Na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, agendada para o dia 13 de dezembro, esses e outros temas espinhosos deverão voltar á tona e polemizar os debates sobre o seu nome. Na semana passada, Dino fez um ‘tour’ pelos gabinetes da Casa defendendo sua nomeação e para garantir os votos necessários para que ele fosse aprovado, tanto na comissão quanto no plenário. A audiência deve durar o dia inteiro.