A Diocese de Itabira/Coronel Fabriciano concedeu na tarde de sábado, dia 16, uma entrevista coletiva à imprensa de João Monlevade e região para prestar esclarecimentos sobre o caso do padre José Felipe Bastos, das paróquias de São José Operário e Nossa Senhora de Fátima.
A coletiva ocorrida na Casa de Retiro e Encontros Arpas, no bairro Vila Tanque, ao lado da Igreja Nossa Senhora de Fátima, com a presença do vigário-geral da Diocese de Itabira/Coronel Fabriciano, padre Francisco Guerra, não foi o suficiente para que a igreja pusesse um fim ao caso. Padre José Felipe Bastos, no dia 13 deste mês, enviou ao bispo Dom Odilon e aos Vigários Episcopais uma carta em que renunciava às duas igrejas. O fato deu início a uma onda de descontentamento por parte dos fiéis e diversas interpretações quanto aos verdadeiros motivos da sua decisão.
Até o momento, já foi especulado que o padre é casado, não possui ordenação ou que demais padres teriam ficado enciumados com a sua atuação na região da cidade e seus altos índices de aprovação entre os fiéis. Quanto às suposições, o vigário-geral Francisco Guerra explicou para a imprensa que José Felipe é, sim, ordenado padre. Ele apenas não pertence à diocese, mas à Congregação dos Sacramentinos da Adoração Perpétua, que atua com padres missionários. O padre teria sido casado, porém o casamento foi anulado, tornando o mesmo em um homem solteiro. Já quanto ao fator ciúmes, Francisco Guerra comentou que não houve o sentimento por parte dos outros padres da cidade.
Na opinião do vigário-geral, não houve nenhum fato grave envolvendo o padre José Filipe para que ele retornasse à Congregação. “Talvez algum motivo pessoal que não nos pertence”, disse ele.
A polêmica ainda persistirá nos próximos dias. A imprensa nacional já está sondando a Igreja Católica, o que pode dar um novo ânimo aos fiéis que não aceitam a renúncia do padre.
Tudo é falso
O blog O Popular anunciou nesse domingo, dia 17, ter recebido um e-mail de uma pessoa ligada ao “padre” José Filipe, contendo informações bastante reveladoras. Em seu texto, o homem afirma ter sido colega dele e até o nome utilizado por ele é falso. O site também publicou na íntegra o e-mail.
Confira abaixo:
“Assunto: José Felipe, ‘o falso padre’. Até o nome dele é falso, na verdade ele se chama José Mauro. Conheço bem a história desta pessoa, desde os anos 90, quando eu estudava no Seminário de Mariana. José Mauro tem uma longa história na tentativa de se ordenar padre. Passou por vários Seminários. Não sei enumerá-los todos. Passou por Mariana, Patos de Minas, Juiz de Fora e outros. De todos foi expulso. Motivos? Vários, como prática ilícita do Ministério e de desvio de condutas e de sexualidade. Para ingressar no Seminário de Mariana, falsificou a assinatura do seu pároco, Padre Geraldo Paiva, da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima em Viçosa. Quando o Reitor do Instituto descobriu o demitiu. Daí passou a perambular por várias Dioceses. Ao ser expulso, retornava a Viçosa e começava a pregar missões na região, alegando que estava em período de estágios ou férias.
Conseguia apoio de alguns padres, como com o seu conterrâneo que trabalhava na Paróquia em Araponga e Canaã. José Mauro tinha um colega, chamado Roberto. Os dois estavam sempre juntos, ambos tinham o dom da palavra e carisma pentecostal, identificados com a renovação carismática. Com isto arrebanhavam a população e praticavam sacramentais e ritos permitidos somente aos padres e diáconos, como bênção do Santíssimo e confissões comunitárias. Disto sou testemunha ocular. Em uma destas vezes, o então vigário forâneo de Viçosa juntamente com o Pároco de São Miguel, Padre Vandik Elias Gomes, responsável pela paróquia de Canaã, foram à cidade e expulsaram-nos de lá. Tempo mais tarde vi José Mauro no Santuário Santa Rita, em Viçosa, ajudando nos trabalhos litúrgicos, como leigo e já casado. Recentemente disseram-me que havia se separado de sua esposa. Surpreso fiquei com estes noticiários de jornais, abordando sobre este episódio em João Monlevade a respeito do ‘falso Padre’.
Não posso aqui afirmar se ele se ordenou ou não. E se foi ordenado, qual Bispo o ordenou? Pois, conforme as normas eclesiásticas, somente o Bispo tem a competência para ordenar. E a que Igreja pertence este Bispo? Resta a José Mauro provar para encerrar esta história. Como ele chegou em João Monlevade, Diocese de Itabira/Coronel Fabriciano, e qual critério usou, desconheço”.
Geraldo Magela Macedo – Belo Horizonte