Discussão sobre crise domina votação do orçamento para 2015
Paulo Soares e o secretário Júlio Contador conversaram depois da votação do orçamento para o ano que vem
O principal projeto discutido e votado durante a reunião ordinária da Câmara de Vereadores nesta terça-feira, 25 de novembro, foi o da Lei Orçamentária Anual (LOA). Porém, mais do que debater os R$ 525,5 milhões previstos para serem arrecadados em 2015, os vereadores se concentraram em outro aspecto econômico: a crise financeira pela qual passa a Prefeitura de Itabira. Oposição e governistas apresentaram seus argumentos.
Bernardo Mucida (PSB) disse estar preocupado com o excesso de gastos na administração municipal. O opositor citou a criação de 116 cargos comissionados e contratos milionários firmados sem licitação. “Isso tudo, aliado à queda do preço do minério, afeta diretamente nossa cidade. São necessárias medidas radicais”, afirmou. “Não podemos continuar do jeito que está, porque senão daqui a pouco vai ter que cortar onde não pode”, completou.
Toda a votação foi acompanhada de perto pelo secretário municipal de Planejamento, Júlio César de Araújo, que estava no plenário da Câmara. O trabalho dele foi elogiado pelo líder de governo, Paulo Soares (PSB), quando o socialista defendeu o governo. Segundo o vereador, a culpa da crise está na mineração e na “explosão social” que vive Itabira. “Nós hoje vivemos uma situação diferente. O minério caiu de 150 para 70 dólares. Itabira já perdeu 50 milhões este ano. E tem a explosão social. Temos 12 mil pessoas a mais na nossa cidade”, argumentou.
Na defesa ao secretário, Paulo Soares disse ter certeza que Júlio Contador, como é conhecido, é uma pessoa honesta e que não tem a intenção de fazer mal à população de Itabira. A fala do socialista irritou o oposicionista Geraldo Torrinha (PDT). “Ninguém disse que o secretário é desonesto. Até porque ele recebe ordens. O prefeito é quem manda. Gastaram mais do que deveria e agora vão chorar porque o minério caiu”, exclamou.
O orçamento previsto para o ano que vem é de R$ 525.586.427,00. Apesar do cenário de crise e instabilidade, a quantia é a maior da história de Itabira, bem acima dos R$ 476,6 milhões de 2014. Todos os vereadores votaram favorável à LOA e às 11 emendas apresentadas (seis de Toninho da Pedreira (Pros) e cinco de Ronaldo Capoeira (PV)).

Emendas
Entre as emendas de Toninho, destaque para a que destina R$ 300 mil para a construção de pista lateral arborizada, iluminada e com proteção às margens da rodovia MGC-120, no trecho entre os bairros Campestre e Pedreira. O vereador também solicita a construção de nova creche em seu bairro de origem, orçada em R$300 mil. Com valor de R$500 mil, Toninho ainda requer construção de uma via de acesso entre a MGC-120 e o Alto da Gaivota, no Pedreira.
Ronaldo Capoeira (PV) é autor de emendas solicitando recuperação de praças e quadras nos bairros Campestre, Nova Vista e São Pedro. Ele também solicita a regularização de imóveis no bairro Nova Vista e a implatação da rede de energia na ligação entre o Campestre e o Pedreira.