Disputa entre facções no Barreiro altera rotina de moradores e provoca reforço policial

Confrontos armados, ameaças em redes sociais e mudanças no transporte público marcam escalada da violência em BH

Disputa entre facções no Barreiro altera rotina de moradores e provoca reforço policial
Foto: Reprodução/PMMG

Uma disputa entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas tem ampliado o clima de insegurança na região do Barreiro, em Belo Horizonte, com reflexos diretos na rotina de moradores, no transporte público e na atuação das forças de segurança. Nos últimos dias, confrontos armados, prisões e a circulação de mensagens com ameaças em redes sociais passaram a fazer parte do cotidiano em áreas como a Vila Cemig e o Conjunto Esperança.

De acordo com registros policiais, ao menos cinco suspeitos morreram em confrontos com a Polícia Militar entre sexta-feira (16) e domingo (18). Quatro dessas mortes, segundo a corporação, estariam relacionadas diretamente à disputa por território entre grupos rivais do tráfico. As ocorrências se concentram no Barreiro e também em outras áreas da capital, como o Aglomerado da Serra.

No domingo (18), um homem apontado como integrante de organizações criminosas envolvidas na disputa no Aglomerado da Serra morreu durante troca de tiros com o Batalhão de Operações Especiais (Bope), em uma vila do bairro Paraíso, na região Leste. Outros dois suspeitos foram presos e um segue foragido. Imagens de câmeras de segurança mostram homens correndo por um beco, um deles portando um fuzil. Fardas policiais foram apreendidas no veículo utilizado pelo grupo.

A escalada da violência no Barreiro também levou a alterações no transporte coletivo. Desde segunda-feira (19), as linhas de ônibus 332 e 319 operam com itinerários modificados por determinação da Superintendência de Mobilidade (Sumob), como medida preventiva diante do cenário de risco. Cartazes informativos foram afixados para orientar os passageiros, e a retomada dos trajetos originais depende da avaliação das condições de segurança.

Além dos confrontos armados, moradores relatam a circulação de mensagens anônimas em grupos de WhatsApp e redes sociais, atribuídas a criminosos, com regras impostas para a circulação de veículos. Os textos orientam motoristas a trafegar com faróis baixos e luz interna acesa ao entrar nas comunidades, sob ameaça de serem tratados como inimigos. Há ainda pedidos para que moradores de áreas controladas por facções rivais evitem transitar pela Vila Cemig.

Na noite de segunda-feira (19), uma operação policial na Praça Aquário resultou na prisão e apreensão de quatro suspeitos, com idades entre 16 e 24 anos, após denúncias de disparos de arma de fogo em meio à circulação de pessoas, inclusive crianças. Armas, drogas e uma motocicleta com registro de furto foram apreendidas. Os envolvidos foram encaminhados à Polícia Civil e devem responder por tentativa de homicídio, tráfico de drogas e receptação.

O clima de tensão se intensificou desde o início de dezembro, quando um ataque a tiros em uma quadra da região deixou dois mortos e nove feridos. Desde então, tiroteios, mortes e prisões se sucedem, ampliando a sensação de medo entre os moradores. Procurada, a Polícia Militar ainda não se manifestou oficialmente sobre o reforço das ações na região nem sobre medidas de contenção a longo prazo.