Dívida do governo Lula cresce R$ 7,9 bilhões ao dia em junho
A elevação diária fez o estoque total do endividamento da União chegar aos R$ 9,268 trilhões no fechamento do 1º semestre

A parte da dívida administrada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta rápida expansão e registra alta de cerca de R$ 7,9 bilhões por dia, com avanço real de R$ 235,7 bilhões no decorrer dos 30 dias de junho.
Os dados são do Relatório Mensal da Dívida (RMD), divulgado nesta quarta-feira (29), pela Secretaria do Tesouro Nacional, num cenário que requer atenção, porque a despesa elevada para financiar a máquina pública reduz acentuadamente orçamento disponível para os investimentos, pressionando a economia do país.
Segundo o documento, a elevação diária fez o estoque total do endividamento da União chegar aos R$ 9,268 trilhões no fechamento do 1º semestre.
O resultado de junho é relacionado diretamente às operações no mercado financeiro, já que a expansão das dívidas estabelece a fatura das emissões líquidas, que fecharam o período em R$ 142,25 bilhões, refletindo também na apropriação de R$ 93,48 bilhões em juros no período. No acumulado do ano, a conta aumentou R$ 633,3 bilhões, o que equivale a um crescimento de 7,33%.
Helano Borges Dias, coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, declarou que o país lida com incertezas externas. A parcela dos títulos vinculadas à Taxa Selic aumentou a dívida para 49,32%.
Esses papéis de recuperação flutuante são procurados pelos agentes financeiros para a proteção dos investimentos, já que elas representam aproximadamente 68% do total disponibilizado pelo governo em junho.
Helano Borges afirma que a banda de títulos flutuantes vai aumentar, e que a instituição pretende realizar estudos em agosto para detalhar a mudança em setembro, e que a composição do endividamento deriva da política fiscal e da política monetária em curso.
Os investidores não-residentes aproveitam as taxas de juros para aportar mais capital. O grupo aumentou as posições em títulos públicos em aproximadamente R$ 6,9 bilhões em junho, atraindo recursos estrangeiros com ênfase nos rendimentos a longo prazo.
O capital de investidores internacionais detém cerca de 9,95% de toda a dívida interna brasileira. Os papéis pré-fixados compõem 69,42% dessa carteira, o que demonstra a aposta no prêmio pago pelo Brasil.