Dnit homologa apenas três trechos da duplicação da 381
As propostas de quatro dos 11 lotes em que foi dividida a duplicação da BR–381 não chegaram ao preço esperado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), e, em pelo menos dois deles, terá que ser feita uma nova licitação, o que vai atrasar ainda mais a conclusão da obra esperada há anos. Ontem, […]
As propostas de quatro dos 11 lotes em que foi dividida a duplicação da BR–381 não chegaram ao preço esperado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), e, em pelo menos dois deles, terá que ser feita uma nova licitação, o que vai atrasar ainda mais a conclusão da obra esperada há anos. Ontem, o Dnit realizou a abertura das propostas técnicas, que se somaram aos resultados da tomada de preços para definir os vencedores em cada trecho. Dos seis lotes que estavam dentro do preço estimado, apenas três não tiveram recursos. Nesses casos, as obras podem começar em setembro.
Mesmo após as negociações, as propostas para os lotes 4 e 5 – entre Nova Era e João Monlevade – tiveram preços acima do orçamento do Dnit (R$ 139 milhões e R$ 136,8 milhões, respectivamente) e, agora, um novo processo licitatório terá que ser aberto, o que deve atrasar em, no mínimo, dois meses o início dos trabalhos. Já nos lotes 8a e 8b – entre Caeté e Belo Horizonte –, onde os preços também estouraram a estimativa (R$ 236 milhões e R$311,6 milhões, respectivamente), as empresas terão dois dias para apresentar novas propostas para ver se chegam ao valor que viabiliza a contratação.
O único trecho que estava acima do preço inicial e que a empresa concordou em reduzir o valor foi o 3.2, relativo à construção de túneis na cidade de Rio Piracicaba. O valor baixou de R$ 64,6 milhões para R$ 56,9 milhões. Agora, o consórcio JDantas/Sotepa terá dois dias para apresentar os documentos da nova proposta para ser declarado como vencedor da concorrência.
O consultor da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) Cláudio Veras disse que o valor previsto pelo Dnit pode estar fora da realidade. “Basta ver a diferença de preços apresentados entre o melhor classificado e o que ficou em último nos dois lotes e, ainda assim, a proposta de menor valor não está dentro do esperado pelo órgão”, afirmou. No caso do lote 5, por exemplo, a menor proposta foi de R$ 136,8 milhões, mas teve empresa que chegou a oferecer até R$ 297 milhões.
Veras também destacou que o Dnit poderia verificar a economia feita nos valores de cada lote concluído – em relação ao teto estipulado pelo órgão, que não é revelado – e repassá-la para os trechos onde não houve acordo. “O órgão terá que analisar se com os ganhos dos outros lotes, pode abrir espaço para propostas de maior valor. O que estamos torcendo é para o Dnit aceitar, pois os ganhos já são suficientes. Mas terá que discutir antes. Se tivesse com essa segurança em relação aos ganhos nesse momento, já teria aceitado”, diz.
Se for levado em conta o valor estimado inicialmente, de R$ 4 bilhões, as propostas da BR–381 ficaram 35% mais baratas, com preço total de R$ 2,6 bilhões. (Aline Lourenço e Bernardo Miranda/O Tempo)