Do Tríduo Pascal à Páscoa da ressurreição
O saudoso papa Francisco afirmou que o Tríduo Pascal é o “memorial de um drama de amor que nos doa a certeza de que nunca seremos abandonados nas provações da vida”

A nossa fé Cristã está fundamentada na Ressurreição. Sem ela, a fé cristã seria simplesmente mais uma entre muitas outras crenças. Não olhamos a história do cristianismo a partir do nascimento de Jesus e sim, da sua ressureição. Sem a experiência da Páscoa, Jesus seria registrado pela história apenas como mais um profeta itinerante.
Quando celebramos o Tríduo Pascal, podemos dizer que celebramos o grande mistério de nossa fé. Não é algo oculto que não se pode conhecer, mas algo tão profundo que a razão sozinha não esgota. É a celebração da Passagem/Páscoa: da escravidão para a liberdade, da morte para a vida.
Na Quinta-feira Santa celebramos o início do Tríduo Pascal com a Missa da Ceia do Senhor. Aqui, o mistério da fé se manifesta na instituição da Eucaristia e do Sacerdócio Ministerial. Jesus, ao lavar os pés dos discípulos, define que o fundamento da nova fé não é o domínio, mas o serviço. Ele nos dá um mandamento novo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. O amor deixa de ser um sentimento e passa a ser uma medida: o sacrifício de si pelo outro. A Eucaristia é o Memorial que consiste não apenas em lembrar o passado, mas tornar presente hoje o sacrifício de Cristo.
Na Sexta-feira Santa vivemos o mistério da Cruz e do Silêncio, quando a Igreja celebra a vitória do amor sobre o sofrimento. A cruz, instrumento de tortura e maldição, é ressignificada como o trono da misericórdia. O mistério reside no fato de que Deus não remove o sofrimento do mundo, mas entra nele, sofrendo com toda a humanidade. O silêncio da Sexta-feira santa confronta o homem com a finitude. É o dia do despojamento total, onde a única linguagem possível é a adoração da Cruz. É o único dia que na Igreja, não se celebra os sacramentos. Neste dia faz-se a leitura da Paixão do Senhor e solene adoração da Cruz.
No Sábado Santo celebramos o mistério do vazio. É o dia do grande silêncio, quando a Igreja permanece junto ao sepulcro. A Vigília Pascal é considerada a “mãe de todas as vigílias”. É aqui que o Mistério da Fé atinge sua plenitude. O fogo novo acende o Círio Pascal, simbolizando que a Luz de Cristo dissipa as trevas do coração e da mente. “Onde está, ó morte, a tua vitória?”
Através das leituras, a comunidade revisita todo o caminho de Deus com o homem, desde a Criação, passando pelo Êxodo, até a Ressurreição, que é a garantia de que a última palavra sobre a vida humana não é o pó, mas a eternidade.
O Domingo da Páscoa
Dia do Senhor – é o dia que celebramos a Vitória da vida sobre a morte. É a festa cristã que dá sentido a todas as outras, pois, como dizia São Paulo, “se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa fé”.
Para que a Páscoa aconteça verdadeiramente é preciso que sejamos todos e todas construtores de um mundo de paz e não de guerra. Termino com a fala do Papa Leão XIV, no Domingo de Ramos, que a meu ver deve servir para uma reflexão e conversão neste Tempo da Pascoa: “Irmãos, irmãs, este é o nosso Deus: Jesus, Rei da paz. Um Deus que rejeita a guerra, que ninguém pode usar para justificar a guerra. Que não escuta as orações daqueles que fazem guerra, mas as rejeita, dizendo: “Mesmo que façam muitas orações, Eu não ouvirei: suas mãos estão cheias de sangue” (Is 1, 15).
Sejamos portadores da Paz que vem de Deus!
Desejo a você e sua família uma Feliz Páscoa!
Sobre o colunista
Padre Hideraldo Verissimo Vieira é pároco na Paróquia São João Batista – João XXIII, em Itabira, e licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com especialização em Ensino Religioso pela PUC Minas.




