Documentário Rejeito será exibido no Cajaina Cultural neste sábado, às 18h

A obra se tornou referência internacional ao abordar, de forma crítica e sem recorrer ao sensacionalismo, as relações entre mineração, território e justiça ambiental

Documentário Rejeito será exibido no Cajaina Cultural neste sábado, às 18h
Foto: Divulgação/Cajaina Cultural
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O Cajaina Cultural recebe neste sábado (29), às 18h, a exibição do documentário Rejeito, dirigido pelo cineasta belo-horizontino Pedro de Filippis. A sessão integra a programação do espaço dedicada a debates socioambientais e chega a Itabira em um momento simbólico, às vésperas das ações nacionais que lembrarão os dez anos do desastre de Mariana.

Produzido pela Enquadramento Produções e distribuído pela Descoloniza Filmes, o longa foi realizado ao longo de quatro anos e acompanha comunidades que vivem sob o risco permanente das barragens de rejeitos em Minas Gerais. A obra se tornou referência internacional ao abordar, de forma crítica e sem recorrer ao sensacionalismo, as relações entre mineração, território e justiça ambiental.

Entre os personagens retratados está a ambientalista Maria Tereza Corujo (Teca), figura conhecida por sua atuação em conselhos e movimentos de defesa socioambiental. O filme também registra a reocupação da comunidade de Socorro, removida após o rompimento em Brumadinho, além de relatos que revelam o cotidiano de quem convive com a insegurança das estruturas que ainda ameaçam diversas regiões do estado.

Nascido em Belo Horizonte, Pedro de Filippis iniciou sua trajetória com o curta Os Pêssegos da Cornicha (2009), premiado em festivais como Mostra Minas e Cinecipó. Sua formação inclui passagens pelo Doc Nomads, com filmagens em Portugal, Hungria e Bélgica, além de participações em programas internacionais como Logan NonFiction e Points North Fellowship. Em 2021, foi indicado ao prêmio Global Emerging Filmmaker da Netflix e IDA. Rejeito é seu primeiro longa-metragem.

O diretor resume o foco da obra ao afirmar que o documentário não se volta ao espetáculo da tragédia, mas àquilo que persiste no cotidiano das comunidades: “O tema central do filme é o território, a relação com o rio e a terra. Não buscamos corpos na lama, mas o que está sendo rejeitado”, explica.

O longa circulou por festivais como IDFA, Hot Docs e Cinéma du Réel, e recebeu prêmios no FICMEC (Espanha), CineEco (Portugal), Festival Sarancine e no Indie Memphis, entre outras participações de destaque.

O filme aborda as novas estruturas que continuam colocando em risco milhões de pessoas em Minas Gerais após os maiores rompimentos de barragens da história do país. Rejeito acompanha a atuação de uma conselheira ambiental diante do funcionamento das mineradoras e do Estado, ao mesmo tempo em que comunidades ameaçadas tentam manter seus territórios e suas memórias. Com abordagem intimista, o filme evidencia conflitos pouco visíveis e questões urgentes relacionadas à mineração no Brasil.

A sessão será gratuita e livre acesso no espaço do Cajaina Cultural, localizado na rua Ipoema, 97, no bairro Pará.