Dois mil monlevadenses compareceram ao ato de paralisação da BR 381

“O povo de João Monlevade é o que mais sofre com a violência que ocorre na BR 381”, disse a presidente da Câmara Municipal monlevadense, Dolires Machado, Dorinha (PMDB), corroborada pelo prefeito Gustavo Prandini (PV), que se diz ainda esperançoso quanto à sensibilização das autoridades federais acerca da obra requerida. A cidade demonstrou a sua […]

“O povo de João Monlevade é o que mais sofre com a violência que ocorre na BR 381”, disse a presidente da Câmara Municipal monlevadense, Dolires Machado, Dorinha (PMDB), corroborada pelo prefeito Gustavo Prandini (PV), que se diz ainda esperançoso quanto à sensibilização das autoridades federais acerca da obra requerida. A cidade demonstrou a sua força na paralisação de uma hora — de 15 às 16 horas  — desta segunda-feira, 13 de julho. O ato ocorreu no trevo que dá acesso ao bairro Sion ou avenida Alberto Lima, o primeiro da entrada de João Monlevade no sentido Belo Horizonte-Governador Valadares. Cerca de dois mil cidadãos da cidade compareceram ao ato, segundo cálculo de pessoas ligadas à coordenação do evento.
 
Tudo pela duplicação do trecho de Governador Valadares a Belo Horizonte, com extensão de 320 km. Caixões em excesso, centenas ou milhares de cruzes, fincadas também no trevo da avenida Armando Fajardo, algumas com fitas roxas, carros batidos, motos despedaçadas, enfim, um panorama lúgubre para impressionar mesmo, apesar de não ser o viajante o alvo, e sim o governo federal, que não se fez presente, sequer por um deputado federal.
 
Três parlamentares estaduais prestigiaram o ato de protesto: Durval Ângelo (PT), Rosângela Reis (PV) e Mauri Torres (PSDB). Além desses, o prefeito de João Monlevade, Gustavo Prandini; de Itabira, João Izael Querino Coelho (PR), de São Gonçalo do Rio Abaixo e presidente da Amepi, Raimundo Nonato Barcelos (PDT); de Catas Altas, Saulo Morais (PT) e de São Domingos do Prata, Fernando Rolla (PTB), além de outros que chegaram mais tarde e de vice-prefeitos, vereadores, ex-prefeitos e de representantes de entidades (CDL, Acimon, Sivor).
 
Nos trevos de Caeté e de Nova União também foram organizadas, no mesmo horário, paralisações, incluindo uma em Ipatinga. Alguns presentes garantiram presença maciça no trevo de Itabira, em manifestação liderada pelo presidente da Câmara de Vereadores itabirana, Neidson de Freitas (PPe marcada para o dia 6 de agosto próximo.
 
OPINIÕES
 
A deputada estadual Rosângela Reis, que teve a iniciativa de criar em municípios localizados ao longo da rodovia, no trecho em discussão, as Frentes Parlamentares em Defesa da Duplicação BR 381, afirmou a DeFato que é totalmente contrária à cobrança de pedágio antes de execução da obra. “Não dá para cobrar pedágio numa rodovia caótica como esta; seria favorável quando tivermos 80 ou 90% do cronograma de execução pronto”, afirmou. Ela disse ainda que acredita no êxito dessa alternativa, o de protestar, pois, segundo pensa, é o que resta ao povo fazer num regime democrático.
 
A presidente da Câmara Municipal de João Monlevade, Dorinha Machado, lamentou a ausência de deputados federais e afirmou que as paralisações não são as únicas soluções buscadas. “Estamos nos reunindo permanentemente, temos feito contatos com o Ministério dos Transportes, o Departamento de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); iremos retornar ao governo Lula com os resultados de nosso trabalho e continuaremos sempre cobrando até conseguir o nosso objetivo”, acrescentou. Ela, todavia, queixou-se de ter o governo federal retirado a verba destinada à obra de duplicação da rodovia do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), “fato que acabou com um bom percentual de esperança de nossa região”, lamentou.
 
O deputado Mauri Torres, líder do governo Aécio Neves na Assembleia, questionado por DeFato sobre o denunciado afastamento do governador da questão duplicação da 381, reagiu com veemência: “Pelo contrário, o Aécio, há muito tempo, levou ao presidente Lula a sua proposta de estadualização da BR 381, cujo projeto, a nosso ver, é o que resolverá este problema que estamos enfrentando; mas o governo Lula não deu resposta, ou melhor, deu a entender que não quer conversar sobre esta questão”.
 
Mauri, lembrando a presença do vice-governador Antônio Anastasia em Itabira nesta quarta-feira, 14 de julho, fez um paralelo entre o que ele chama de inércia do governo federal  e  eficiência da administração estadual: “O governo de Minas anuncia e faz, inicia e termina, como a obra que vai autorizar amanhã (hoje) em Itabira, de construção da terceira pista até o trevo da BR 381 e outras intervenções”.
 
Para o parlamentar que tem base eleitoral na região, as paralisações ajudam a resolver o problema, em parte. “Mesmo sendo algo que incomoda, mas que é uma alternativa de protesto do povo, não deixa de requerer um apoio mais maciço da grande mídia, o que ainda não aconteceu; caso as grandes emissoras de TV do país — Globo, Record e SBT — mostrem mais a gravidade deste nosso problema, assim teríamos a BR 381 duplicada rapidamente”, sugeriu.
 
O ato, iniciado exatamente às 15 horas, e acompanhado de perto por policiais rodoviários federais, terminou às 16 horas. Alguns viajantes reclamaram, começaram até a buzinar, depois foram advertidos por manifestantes, que pediram paciência. O caminhoneiro Clóvis Alberto, calmamente sentado em sua cabine, sem tirar sequer o cinto de segurança, aguardou o tempo previsto e falou com repórteres. “Estou acostumado a parar nesta estrada por causa de acidentes; pelo menos hoje não é por causa disso”, afirmou, acrescentando que saiu do Vale do Mucuri (Nanuque) e que iria até São Paulo.
 
De acordo com faixas afixadas na área do protesto, 138 pessoas morreram no trecho de João Monlevade a Belo Horizonte no ano passado. Mas os organizadores do movimento dizem que o número foi maior. “Cento e trinta e oito perderam a vida na rodovia, sem contar os que foram levados para hospitais ainda com vida”, afirmou a vereadora-presidente da Câmara, Dorinha Machado.