Dona Margarida, a primeira mulher a trabalhar na Vale
Dona Margarida é exemplo de cidadã dedicada a ajudar quem precisa
Primeira mulher a ingressar no quadro de empregados da Vale, segundo ela, no primeiro dia de setembro de 1945, Margarida Silva Costa, 92 anos, é exemplo de cidadã dedicada a ajudar quem precisa. Ela conta que sempre preferiu ensinar a pescar ao invés de dar o peixe. “A pessoa precisa ser capacitada profissionalmente e aprender a andar com as próprias pernas”.
Era assim que trabalhava quando esteve à frente do Conselho do Bem Estar do Menor (Combem), entidade que ajudou a fundar, em 1976. “Sempre acreditei na inclusão social, principalmente na de pessoas especiais”, defende dona Margarida, ao relacionar nomes de ex-alunos que passaram pela entidade e ingressaram com sucesso no mercado de trabalho.
Cledson de Moura Machado, 32 anos, foi um desses ex-alunos. Aos 16 anos, aprendeu o ofício de bombeiro hidráulico. Posteriormente, fez dois cursos no Senai e em 2006 ingressou na Vale, onde exerce a profissão de mecânico industrial.
“Aprendi no Combem lições fundamentais para o meu caráter e para a minha vida profissional”, afirma, ao lado de seu pai, o ferroviário aposentado João Flaviano Machado, que agradece a acolhida que o filho teve. “Dona Margarida é a nossa mestra maior”.
Saber datilografia ajudou a entrar na Vale
Segundo dona Margarida, ter concluído o curso datilografia foi fundamental para ela ser aprovada em um concurso da Vale, em 1945. “Eu era a única que sabia escrever à máquina. Aprendi com dona Ruth”, homenageia. Ruth Tarbes foi professora de datilografia da maioria dos itabiranos que dominou a técnica.
“Fui muito criticada na época. Diziam que mulher não devia trabalhar fora de casa”. Foram 30 anos na empresa, na Estrada de Ferro Vitória a Minas, na administração do Hospital Carlos Chagas e na Superintendência das Minas. Aposentou-se em 1975. “Conheci todos os presidentes da Vale, inclusive Israel Pinheiro, que foi o primeiro”.
Ela recorda o dia, na década de 1940, em que o ex-presidente quebrou o protocolo em um jantar, incomodado com a formalidade dos garçons que serviam um prato de cada vez. “Ele me chamou e perguntou. ‘Margarida, não tem jeito de trazer essas panelinhas para cá e a gente mesmo se servir?’”. E assim foi feito. (Com informações: Informativo Vale)