Donald Trump desligou os aparelhos de Benjamin Netanyahu

Com o fim da guerra, o “bambambã” do Oriente Médio corre sérios riscos de comemorar o triunfo bélico atrás das grades

Donald Trump desligou os aparelhos de Benjamin Netanyahu
Benjamin Netanyahu – Foto: Reprodução/Vídeo/Instagram/@b.netanyahu

Na segunda-feira passada (13), Donald Trump foi recebido com pompa e circunstância em Jerusalém. E com razão. O americano colocou ponto final (a princípio) no sanguinário embate entre o Exército judeu e bando do Hamas. O chefe do Executivo dos EUA fez discurso histórico no Knesset, o parlamento judaico. Trump usou a maior parte do tempo para autoelogiar-se. Afinal, é um personagem formado pela mistura de vaidade com egocentrismo.

O astro da geopolítica tagarelou por uma hora e aproveitou a oportunidade para fazer “humilde súplica”. Dirigiu-se a Isaac Herzog — o presidente de Israel — e reivindicou anistia prévia para o primeiro-ministro Benjamin “Bibi” Netanyahu. Herzog ouviu a incrível lorota impassivelmente. Tudo não passou de simples constrangimento.

Mas, na verdade, o futuro não parece muito promissor para Bibi. Com o fim da guerra, o “bambambã” do Oriente Médio corre sérios riscos de comemorar o triunfo bélico atrás das grades. Afinal, o homem encontra-se imerso em caudaloso mar de corrupção. Antes da invasão dos psicopatas do Hamas, a cabeça do premier já se posicionava diante da afiada guilhotina da Justiça judaica. A atitude insana dos terroristas palestinos, porém, garantiu sobrevida ao falso “rei dos judeus”.

No próximo ano, haverá eleições gerais. Caso derrotado, Netanyahu fatalmente perderá a pose e imunidade. A eventual surra nas urnas significará o início da contagem regressiva para acrobático mergulho na masmorra.  Como se vê, o sangue de idosos, crianças e mulheres garantiu o poder e a liberdade do mandatário. O genocídio na Faixa de Gaza foi o nutritivo alimento político do todo poderoso do Sião. Esta é a principal causa da persistente carnificina por dois anos. Nos últimos meses, Bibi já não contava com relevante apoio popular. O povo israelita clamava desesperadamente pelo cessar-fogo e imediata libertação dos reféns. Apenas uma já frágil base radical bancava o cargo do beligerante. O “nosso herói”, portanto, respirava com ajuda de precários aparelhos institucionais.

De repente, o inesperado deu as caras na área. A laranja norte-americana literalmente apareceu e desligou os equipamentos de sustentação da vida política de Netanyahu. O aparente fim do massacre de Gaza é uma sentença de morte moral e ética. Apesar de tudo, Bibi agonizará até 27 de outubro de 2026, a data das eleições legislativas da nação. Depois disso, vem o previsível próximo capítulo: o encarceramento num pavoroso presídio, onde cumprirá longa temporada em companhia dos fantasmas de Gaza.

Enfim: anote aí. Benjamin Netanyahu procurará, a qualquer custo, um pretexto para sabotar o cessar-fogo na Faixa de Gaza. Está em jogo o seu futuro político e pessoal. E, neste contexto, não existe sobrevivência sem guerra. O primeiro-ministro judeu é o Drácula da geopolítica, pois necessita de sangue para continuar vivo. Muito sangue!

Sobre o colunista

Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.

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