Donald Trump é o caramelo de Bibi Netanyahu
Bibi arrastou o bilionário falastrão dos EUA para o meio da quizumba do Golfo Pérsico

A vida não anda nada fácil para Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Os dois amigos se meteram na encrenca das encrencas. A guerra contra o Irã não é para simples aventureiros da paisagem internacional. O vexame no teatro do conflito comprova esta percepção. E nada será como antes era. O cenário futuro reserva índice maior de preocupação para o judeu errante. Veja bem. Um nítido fantasma comum assombra as noites mal dormidas destes “ilustres” atores da geopolítica. O espírito obsessor atende pelo nome “eleições legislativas”.
Com efeito. Os eleitores norte-americanos e israelenses escolherão novos membros do parlamento ainda no final deste ”ano da graça”. A perda da base de sustentação será uma catástrofe para a dupla de arruaceiros planetários. O roteiro de Trump é previsível. Uma derrota transformará o republicano em genuíno pato manco, embora sem a graça e o carisma do xará da Disneylândia. A conquista da maioria das cadeiras pelos adversários democratas jogará o ocupante da Casa Branca no mato sem cachorro. Mais de 80% do totalitarismo trumpista iriam para o espaço.
E pior. O “cara” até correria sério risco de ser defenestrado do governo. Afinal, o impeachment é importante peça de realinhamento do sistema. Nesta hipótese, o mandarim dos cabelos alaranjados ocuparia um merecido lugar na história. Posicionaria- se ao lado do ex-presidente Richard Nixon, que renunciou para não ser deposto. Em tempo. Bill Clinton também esteve prestes a ser escorraçado. O motivo da degola seria hilário. Um charuto, em boca inadequada, na hora incerta, quase derrubou o marido de Hillary. A política dos Estados Unidos sempre foi bastante bizarra.
A situação de Benjamin é mais dramática. O revés na votação de outubro será o fim da picada. Caso ocorra esta eventualidade, o mandachuva do Oriente Médio deixará o cargo em companhia da natural imunidade. E aí a porca torcerá o rabo de vez. O judiciário de Israel funciona com muito mais rigor que a Suprema Corte americana. Os magistrados de lá não são incondicionalmente submissos. Um possível fiasco nas urnas será a senha para a abertura das portas dos cárceres. E há relevantes motivos para isso. Bibi será julgado por consistentes denúncias de corrupção.
Agora, a pergunta que insiste não se silenciar. A interrogação chega à ponta da língua com pitadas de venenos. Quem é mais poderoso? Donald ou Benjamin? O óbvio está evidente. O judeu comanda a ação no Golfo Pérsico. Ele é o mentor da algazarra bélica. O quadro atual denota esta percepção. Bibi arrastou o bilionário falastrão dos EUA para o meio da quizumba. O desastroso atrito com os persas, no entanto, está levando Orange às cordas. A opinião pública estadunidense encontra-se com os nervos à flor da pele. O índice de desaprovação do “imperador” atingiu níveis alarmantes nas últimas semanas, segundo conceituados institutos de pesquisas.
A configuração exterior, porém, pouco alterou. Netanyahu mantém o totó Trump em rígida coleira. Faz o debiloide do Norte de gato e sapato. O homem mais poderoso do universo se transformou em marionete. Na verdade, Trump é o cachorro vira-lata do primeiro-ministro sionista. O ianque amarelo não passa de descuidado caramelo.
Sobre o colunista
Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.




