Donald Trump enfrentará a sua mais dramática guerra em novembro
Na realidade, Trump tem muita semelhança com caricatos ditadores de republiquetas de bananas da periferia do planeta

“America first”. Donald Trump é muito pragmático no uso do termo. América em primeiro lugar. Até mesmo acima de Deus. O establishment sempre funcionou assim na terra de Tio Sam. De pais para filhos, desde 1776. O atual (e eventual) inquilino da mais famosa Casa Branca é tosco, deselegante, bizarro, patético, onisciente, onipresente e inconsciente. As rimas resumem o argumento. E não só. Acrescente “extremamente perigoso” na sequência. Há muitos outros adjetivos para desqualificar o repugnante laranja ou “Orange”.
Mas justiça se faça. A democracia dos EUA é uma fábrica de delinquentes. Alguns mandarins de lá praticaram inesquecíveis atrocidades. O “America first” é discurso básicos desta estirpe. Trata-se de pretexto para desatinos imperialistas. Vários presidentes ianques encobriram a natural arrogância com um escudo de falso carisma ou empatia de araque. Exemplos claros. George W. Bush, Harry S. Truman e Ronald Reagan. Essas personagens estão na categoria de flores “incheiráveis”. São ordinários políticos norte-americanos. E ponto.
O atual dirigente da nação, porém, é dono de perturbadora autenticidade. O bilionário jamais escondeu o seu propósito fundamental: tornar-se imperador dos quatro cantos. O sujeito- bem às claras- utiliza-se de todos os meios para este fim. Valem chantagens, mentiras, ameaças, violências explícitas, deboches, assédio moral e traições. O importante é a ampliação de poder. Até à custa de mergulhar a geopolítica em perigoso lamaçal. E, neste contexto, Trump se apresenta como o dono do mundo. Na realidade, tem muita semelhança com caricatos ditadores de republiquetas de bananas da periferia do planeta. Mas atenção. Aqui não se menciona um ator de popularescos filmes de Hollywood. Nada disto. Encontramo-nos diante de psicopata megalomaníaco. Convenhamos. Uma mistura psiquiátrica para lá de explosiva. Os arquivos de Jeffrey Epstein também insinuam um tarado em potencial. Aguardemos a abertura da porta deste inferno libido.
Os atributos pessoais do homem mais poderosos do universo contribuem para lançar a humanidade na direção de tenebroso precipício. E há outra circunstância de alto risco. Trump é octogenário. Vivencia, então, a idade de perigosas decisões. Não se sabe o que povoa a antiquada cabeça de um ser tão obtuso. Talvez ele tenha em mente a seguinte projeção: “Explodo-me em companhia de toda a raça humana. Nada tenho a perder”. Orange é velhaco, irresponsável e totalmente fora de controle.
Os atos irracionais do autocrata começam a afetar a vida dos “seus súditos”. Piorou muito o dia a dia dos cidadãos americanos. Os preços dos alimentos subiram assustadoramente. A taxa de desemprego encontra-se em alta. Estas são as consequências do indiscriminado e aleatório tarifaço. Um genuíno tiro no pé. A sociedade norte-americana paga um elevado preço pela escolha eleitoral do ano passado. A voluntariedade popular botou um despirocado no governo. As guerras desnecessárias também incomodam. Na campanha política- só para variar- Trump mentiu. “Durante o meu mandato, os Estados Unidos não se envolverão em novos conflitos internacionais”, prometeu. Pelo contrário. O “candidato” a Prêmio Nobel da paz virou um gangster universal. E ninguém sabe aonde tudo isso vai parar.
Os estadunidenses andam com os nervos à flor da pele. Este fenômeno psicossocial é o perigo maior para o “desbravador dos sete mares”. Em novembro, bem ao pôr do sol, o republicano terá um encontro marcado com as urnas. Na ocasião, haverá eleições legislativas em todo o território nacional. O pleito definirá novos deputados e senadores. Por ora, o mandatário conserva maioria relativa no parlamento. E se os eleitores mexerem nas configurações do tabuleiro do sistema? A possível movimentação desfavorável significaria democratas com a maior parte das cadeiras. Neste caso, o cenário mudaria completamente. Aí, meus caros, as loucuras de Orange poderão ser contidas por meio de poderosa palavra mágica: impeachment. Como se vê, a votação do final de ano será a maior batalha do teatro de guerra trumpiano. Existe risco concreto de Donald se transformar num pato manco.
Sobre o colunista
Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.
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