Donos de quiosques protestam contra reforma da praça da EEMZA

Eles se queixam da falta de transparência do processo, iniciado na semana passada

Donos de quiosques protestam contra reforma da praça da EEMZA
Foto: Victor Eduardo/DeFato Online
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Durante a reunião de comissões da Câmara desta segunda-feira (10), dois donos de quiosques localizados na chamada Praça da EEMZA (Escola Estadual Mestre Zeca Amâncio), região central de Itabira, demonstraram apreensão com uma possível reforma do espaço. A principal queixa de Manuel Ferreira e Maurílio de Sena é a falta de transparência do processo, já que ambos alegam terem sido avisados repentinamente das obras que podem ser iniciadas imediatamente, segundo eles.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura afirma que a ação faz parte de um pacote de obras voltado a diversas praças de Itabira. O município também garante dialogar com os comerciantes em busca de alternativas à impossibilidade da realização das atividades durante as reformas. Confira o comunicado, na íntegra, logo abaixo.

A reforma da praça do Expedicionário, na região central, será executada ainda este ano, dentro do programa de requalificação de espaços públicos e melhoria da experiência urbana desenvolvido pela Prefeitura de Itabira. Todo o espaço será revitalizado.

Atualmente, já estão em obras as praças Santa Tereza, no Santa Tereza, e Irmã Maria Clara, no Novo Amazonas. Também terão obras iniciadas as praças José Máximo Rezende Filho, no Campestre; Nelson Lima Guimarães, no Pará; São Tomé, no Major Lage de Baixo; João de Barro, no Pedreira; Cidade de Toledo, no Campestre e do Rotary, no Amazonas.

Em todas as praças onde existem atividades comerciais, a Prefeitura de Itabira está em diálogo com os proprietários para encontrar a melhor alternativa para o período de obras, quando o espaço público ficará impossibilitado de ser acessado pela população.

Responsável por uma banca situada na praça, Manuel explicou como ele e outros comerciantes da região souberam da reforma. “Recebemos um comunicado da Prefeitura semana passada, de que eles fariam uma reforma na praça e inclusive uma demolição de todos os quiosques da pracinha da EEMZA. Uma coisa que pegou a gente de surpresa, porque se eles avisassem com antecedência… foi uma coisa muito rápida. Ficamos sem chão mesmo”, relata.

“Foram lá, comunicaram, marcaram uma reunião no Areão (onde fica a sede provisória da Prefeitura) com secretários, advogado, umas seis pessoas. E falou que era para ontem. Tipo assim, se desocupássemos hoje, já começariam amanhã”.

Praça da EEMZA
Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Segundo Manuel, a concessão do uso do espaço foi dada aos donos dos quiosques durante a gestão Ronaldo Lage Magalhães (PTB). Ele afirma que as quase 15 famílias que dependem das atividades no local para garantirem sua sobrevivência estão sendo despejadas “de uma hora para outra, sem um horizonte”.

“Nesse momento, são 14 famílias que dependem de sobreviver daquele espaço. E a gente está aqui só querendo ajuda, que o poder público entenda. O senhor prefeito, colocamos ele lá com as melhores intenções. Mas só ele agora vai ver nossa situação, o que é viável para cada um de nós”.

Maurílio de Sena, por outro lado, pontuou que os quiosques estão muito bem estruturados e, portanto, sequer precisam ser revitalizados. Ele também compartilhou o temor em não saber se voltará ao local após o fim da suposta reforma.

“Como a gente tem quiosques muito bem feitos, acho que não há necessidade de fazer outros modernos. Nosso quiosque hoje tem estrutura, tem a garantia que a gente coloca, então não entendo. Várias famílias necessitam (dos quiosques para sobreviver), mas não sabemos se vamos ter a garantia de voltar para lá. Inclusive, diz que vai construir mais dois, acho isso um absurdo… todo mundo está em choque”.

Sabia não

Líder do Governo na Câmara, Weverton Leandro Santos Andrade, o Vetão (PSB), se disse surpreso com a notícia e prometeu um novo encontro entre os comerciantes e a Prefeitura para tratar sobre o tema.

“Realmente até eu estou sendo pego de surpresa, não sabia do ocorrido. Quero parabenizar o vereador Luciano por trazer à Câmara essa tão importante discussão, me coloco à disposição para sentarmos com o Governo novamente. Como o Manoel muito bem disse, já houve uma reunião na Prefeitura, mas acredito que há necessidade de uma nova reunião, com a presença dos vereadores”.

O parlamentar ainda enfatizou a interação entre os trabalhadores do local e os alunos da EEMZA, onde estudou durante boa parte da juventude.

“Estudei na EEMZA da quinta série ao terceiro ano, a gente sabe como é essa interação dos alunos com os quiosques. Acredito que dá, sim, para fazer uma reforma, mas respeitando toda essa história. E principalmente em uma cidade que discute diversificação econômica, temos que estar atentos para que situações não possam tirar direitos das pessoas. Me coloco à disposição, tenho certeza que o prefeito é muito sensível nesse tema. E Luciano (Luciano Sobrinho, vereador), se tiver agenda, nesta semana mesmo a gente tenta realizar um encontro diretamente com o prefeito e a secretária de obras para entender e que vocês possam ter voz e vez nessa discussão”.