Durante abertura do Flitabira, Marco Antônio Lage anuncia criação de selo literário da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade

Iniciativa prevista para 2027 terá edital para apoiar a publicação de livros de escritores e poetas de Itabira, ampliando o incentivo à produção literária local

Durante abertura do Flitabira, Marco Antônio Lage anuncia criação de selo literário da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade
Foto: @bleia/Flitabira
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A produção literária de Itabira deverá ganhar um novo instrumento de incentivo a partir de 2027. A Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) prepara a criação de um selo literário próprio, que será acompanhado de um edital destinado a selecionar escritores do município interessados em publicar seus livros com apoio da instituição. O anúncio foi feito pelo prefeito Marco Antônio Lage (PSB), em entrevista ao portal DeFato Online, na noite de quinta-feira (29), durante a abertura oficial da sexta edição do Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira).

A iniciativa pretende ampliar as oportunidades para autores locais e fortalecer a presença da produção itabirana no cenário literário. Segundo o prefeito, a proposta não envolve a criação de uma gráfica pela FCCDA. O caminho escolhido será a abertura de um edital específico, por meio do qual poetas e escritores de diferentes segmentos poderão apresentar seus projetos e concorrer ao apoio para edição das obras.

“Além dos corpos estáveis e de tudo aquilo que a FCCDA promove, a novidade é um plano para, a partir de 2027, lançar um selo literário, um selo da Fundação Carlos Drummond de Andrade. A gente não vai investir em gráfica, mas é um selo que nós vamos fazer um edital específico para que escritores e poetas de Itabira, em todos os segmentos da literatura, possam participar e editar seu livro com o apoio da Fundação”, afirmou Marco Antônio Lage.

O prefeito explicou que a intenção é fazer com que os livros produzidos com esse incentivo encontrem espaço não apenas no Flitabira, mas também em outras iniciativas culturais promovidas na cidade. Entre as possibilidades mencionadas estão a Semana Drummondiana e novos festivais e encontros literários.

“É poder aumentar ainda mais o número de escritores itabiranos lançando seus livros, seja no Flitabira, como em outros pequenos festivais que a gente pode promover, como a Semana Drummondiana e outros eventos de literatura, estimulando a produção local, porque Itabira é uma cidade literária e também de gente que faz literatura”, destacou.

Festival internacional e valorização dos autores locais

Ao comentar a sexta edição do Flitabira, Lage ressaltou a consolidação do evento no calendário cultural brasileiro e sua projeção internacional. Para ele, a presença de escritores de outros países, a participação de nomes reconhecidos da literatura e a parceria com patrocinadores contribuem para ampliar o alcance do festival e aproximar a população de diferentes experiências literárias.

O prefeito também destacou o trabalho de Afonso Borges, jornalista, produtor cultural e idealizador do Flitabira, além do patrocínio da Vale e dos recursos viabilizados por meio da Lei Rouanet e de empresas parceiras.

“É um projeto que já está no calendário brasileiro como uma das principais feiras literárias do Brasil, já é um projeto com nome internacional, até porque vêm escritores de de outros países, e a sexta edição já está se consolidando”, afirmou.

Na avaliação do prefeito, o festival cumpre uma função que vai além de reunir escritores e leitores durante quatro dias. A programação também cria oportunidades para a formação de público, o contato com diferentes manifestações artísticas e a aproximação entre a literatura e as escolas.

Ele citou, nesse contexto, o concurso de redação e a participação dos estudantes da rede pública municipal, que, segundo ele, têm assumido papel de destaque nas atividades. Para Marco Lage, o envolvimento das escolas demonstra o interesse dos alunos e o trabalho pedagógico desenvolvido em torno da leitura e da arte.

“A cada ano vai proporcionando ainda mais para os itabiranos e a população de maneira geral essa oportunidade de contato com escritores, de contato com a literatura de uma forma mais ampla, além da leitura, conectando com as escolas, com o concurso de redação, onde as escolas públicas municipais participam com muita propriedade, com protagonismo”, declarou.

Ancestralidade e memória quilombola também integram a edição

Outro aspecto destacado por Marco Antônio Lage foi a escolha das homenagens desta edição. Além de celebrar os 75 anos de publicação de “Claro Enigma”, de Carlos Drummond de Andrade, o festival dedica espaço à memória de mulheres que marcaram a história e a cultura negra de Itabira.

O prefeito mencionou as matriarcas quilombolas de Itabira: Dona Joana Zeferino, do Quilombo Capoeirão, Dona Tita e Dona Rosinha, lembradas durante o evento após suas mortes neste ano. Ele também recordou a participação de Dona Rosinha em edições anteriores, quando lançou o livro “Memórias do meu Quilombo”, que teve destaque entre os títulos comercializados na livraria do Flitabira em 2025.

Para Marco Lage, a presença dessas histórias em um festival de alcance internacional representa uma oportunidade de valorizar as raízes culturais do município. “É muito bacana podermos participar de um festival internacional homenageando a nossa essência, a nossa cultura, a nossa ancestralidade”, afirmou.

O prefeito avaliou que a diversidade de atividades, convidados e temas permite que o Flitabira alcance públicos de diferentes idades e interesses. Na entrevista, relacionou a realização do evento também ao fortalecimento do turismo cultural e à projeção de Itabira como referência nesse segmento.

“É uma atividade para todas as idades, para todos os gostos, é muito completo. Acho que Itabira, de fato, se consolida com este festival como essa cidade de referência cultural no Brasil, o que é para a nossa cidade e é bom para a indústria do turismo que a gente está fomentando”, disse.

Projeto de uma grande biblioteca pública

A criação do selo literário integra um conjunto de iniciativas que o prefeito relacionou ao fortalecimento da identidade de Itabira como cidade ligada à literatura. Na entrevista, ele também mencionou o plano de construir uma nova biblioteca pública, que ampliaria a estrutura existente na Biblioteca Pública Municipal Luiz Camillo de Oliveira Netto, mantida pela Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade.

Marco Lage defendeu que o incentivo à leitura precisa começar na infância e destacou a importância de garantir às crianças acesso cada vez maior aos livros. Ele citou a movimentação da livraria do Flitabira já na abertura do evento e lembrou que, nas edições anteriores, o espaço recebeu grande público durante os dias de programação.

Ao abordar a formação de leitores, o prefeito recorreu a uma frase atribuída ao escritor e cartunista Ziraldo: “Ler é mais importante que estudar”. Em seguida, explicou como compreende o papel da literatura no desenvolvimento das crianças e na formação dos cidadãos.

“A literatura, a leitura, a viagem de um livro, onde a gente encontra sonhos, histórias, ela é fundamental para ativar não só a memória, mas para ativar o cognitivo das nossas crianças e o conhecimento”, afirmou.

Na avaliação do prefeito, estimular o hábito da leitura desde os primeiros anos de vida contribui para a formação dos estudantes e para o desenvolvimento da sociedade. “Formar leitores é garantir crianças, estudantes, profissionais, cidadãos cada vez melhores. É isso que Itabira vai cumprir o seu papel”, concluiu.