Durigan conversou com Lula e BC sobre intervenção nos títulos públicos
No mercado de renda fixa, os preços dos títulos públicos apresentam uma relação inversa com as taxas de juros
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na segunda-feira (26) estar mantendo conversas com o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, e com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, para coordenar a intervenção nos títulos públicos.
“Eu conversei com o presidente Lula por telefone para explicar a situação. Eu falei com o Banco Central, estou falando com o Tesouro. Depois de uma eleição, como a que a gente passou, é evidente que nós temos que tomar todos os cuidados”, disse em entrevista ao O Globo.
Segundo Durigan, é preciso ter racionalidade nestes pós eleições, e disse também que o Banco Central avalia a atuação para que não cause impactos nos juros.
“Nós precisamos ter alguma racionalidade. Eu não estou falando de controle de preço, estou falando de alguma racionalidade. Então, desde de manhã estou falando com o Banco Central, falando com o Tesouro, o Tesouro vai intervir agora para dar racionalidade, para dar liquidez. Eu não estou falando de nível, o preço vai seguir em um nível mais alto, mas eu estou falando de normalidade”.
Durigan também afirmou que o governo deve adotar medidas para estabilização da situação financeira do país, trabalhando de forma coordenada, e avaliou que não existe nenhum tipo de chantagem por parte do mercado financeiro e nem de retaliação por parte da equipe econômica.
A instabilidade decorre de incertezas dos investidores sobre os rumos da política fiscal do próximo governo petista.
Após a confirmação do resultado eleitoral, alguns investidores passaram a exigir taxas de juros mais altas para adquirir títulos da dívida pública brasileira, diante da percepção de aumento dos riscos associados ao cenário econômico.
No mercado de renda fixa, os preços dos títulos públicos apresentam uma relação inversa com as taxas de juros, significando que quando os juros pretendidos pelos investidores sobem, os preços dos papéis já negociados tendem a cair, um movimento que pode provocar perda aos investidores que precisam vender os títulos antes do vencimento e dificultar as negociações em momentos de maior instabilidade.